17-05-2017

RenovaBio: o futuro do biocombustível no Brasil

Novo programa para o desenvolvimento da indústria nacional está aliado ao compromisso brasileiro com o Acordo de Paris, para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e incentivar a geração de combustíveis sustentáveis

 

O RenovaBio é um plano nacional de desenvolvimento do setor de biocombustíveis no Brasil, idealizado pelo Ministério de Minas e Energia em conjunto com entidades do segmento sucroenergértico. Uma proposta inovadora e ousada que tem como meta expandir a produção de biocombustíveis no Brasil até 2030, buscando alternativas, parcerias, inovação, tecnologia e novos investimentos para que o setor consiga ser ainda mais eficiente e competitivo. Atualmente, são produzidos cerca de 30 bilhões de litros de etanol por safra, com o programa, a estimativa é de que a indústria nacional consiga ampliar esse número, gerando um adicional de mais 20 bilhões de litros por safra até atingir a meta de 54 bilhões de litros.

 

Esse é um importante programa criado especificamente para o setor de biocombustíveis. Nas propostas estão diversas políticas que visam oferecer mais tranquilidade e previsibilidade focadas em aumentar a confiança dos investidores nacionais e internacionais que buscam oportunidades de participar do desenvolvimento desse setor.

Propostas do Renova Bio

             Durante muitos anos o Brasil foi referência em autossuficiência no setor de combustíveis. Com o aumento da demanda e o descompasso dos investimentos internos, o país passou a importar combustível, o que gerou prejuízos à balança comercial, vulnerabilidade energética evidenciada por todos os consumidores, maior investimento em logística, além de um efeito em cadeia provocando a eliminação de diversos benefícios sociais e econômicos para a produção interna. Outro agravante: houve aumento nas emissões de gases. Um cenário muito preocupante para um território que dispõe de inúmeras oportunidades de desenvolvimento de combustíveis renováveis, altamente sustentáveis e menos nocivos ao meio ambiente.

O RenovaBio foi pensado também para atender o compromisso brasileiro com o Acordo de Paris, firmado na 21ª Conferência das Partes ( que propõe reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável. O Brasil ratificou o acordo em setembro de 2016 com o comprometimento de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, chegando em 43% em 2030.

Entre as diversas medidas brasileiras no Acordo de Paris está a de aumentar a participação na produção de bioenergia sustentável, nossa principal matriz energética para, aproximadamente, 18% até 2030, bem como alcançar um número bastante expressivo de 45% em energias sustentáveis nesse mesmo período. Aqui se comprova a urgente necessidade de um programa de desenvolvimento do setor de biocombustíveis como o RenovaBio. Não apenas focado na economia e no mercado interno e externo, como, também, para ser um importante instrumento do país no cumprimento do Acordo.

O etanol é parte fundamental da atuação brasileira no combate às mudanças climáticas. A proposta do Brasil estima que a necessidade de produção interna chegue a 54 bilhões de litros de etanol até 2030. Por isso, a nova agenda do setor, o RenovaBio, prevê também o fomento da discussão sobre o novo mecanismo de estímulo à eficiência energética veicular (automotiva) no país, além da busca de novas tecnologias que utilizem fontes limpas e renováveis.

Atualmente, a produção de etanol, em curto prazo, está limitada pela capacidade de processamento da indústria, que foca seus esforços no reestabelecimento da lavoura, na otimização da produção e na redução dos impactos financeiros, já que enfrentam um cenário pouco atrativo para novos investimentos para a ampliação da capacidade de produção.

Pensando no desenvolvimento sustentável desse setor industrial, o RenovaBio prevê estimular a inovação na indústria nacional, garantir a segurança energética e o abastecimento, gerar benefícios ambientais, sociais e de saúde pública, preservar a infraestrutura existente, como distribuição e revenda, além de contar com uma frota apta ao uso de etanol. Indo além, está a promoção de benefícios ambientais, sociais e de saúde pública e a recuperação do interesse do setor privado em novos investimentos.

Benefícios estimados

O Ministério de Minas e Energia aponta alguns dos benefícios estimados para 2030, com a ampliação da capacidade de produção brasileira, como a geração de 750 mil empregos diretos e indiretos e a redução de gastos com saúde pública, mortes e internações relacionadas ao uso de combustíveis fósseis.

A mercado ainda ganhará um aporte de 40 bilhões de dólares em investimento, gerando uma economia de 45 bilhões de dólares à balança comercial, já que prevê a redução da importação de gasolina, no montante de 95 bilhões de litros. O programa também busca o desenvolvimento de cerca de 1.600 municípios produtores de cana-de-açúcar, e a ativação do comércio e da indústria nacional, com a aquisição e modernização de máquinas e equipamentos.

Como adicional está a estimativa de que haja uma redução total de emissões de gases em 571 milhões de toneladas de CO2eq.

Se você quer saber mais sobre os benefícios e propostas do RenovaBio, no site do Ministério de Minas e Energia é possível conferir diversas apresentações do tema realizadas no Workshop Etanol RenovaBio 2030.

Quer fazer um comentário?