Sustentabilidade

Projeto quer restaurar florestas andinas para combater as mudanças climáticas

Proteger as florestas tropicais remanescentes e restaurar florestas degradadas e outros ecossistemas pode representar até 30% da solução imediata para as mudanças climáticas

As florestas de polylepis crescem em altitudes de até 5.000 metros, compreendendo 28 espécies de arbustos e árvores endêmicas das regiões de altitude média e alta dos Andes tropicais, são uma origem significativa do fluxo de água das cabeceiras do rio Amazonas e cruciais para combater as mudanças climáticas, pois elas absorvem a névoa das nuvens, transformando paisagens secas e erodidas em pântanos e habitat de espécies ameaçadas.

Devido ao desmatamento de décadas por madeira e para pastagem, há apenas 500.000 hectares de floresta remanescentes. Agora, as comunidades andinas em altitudes altas, principalmente os descendentes incas de língua quíchua, estão se reunindo para trazê-las de volta e restaurar suas bacias hidrográficas.

A Acción Andina (Ação Andina), movida pela Geração Florestal Global, está ampliando um modelo de reflorestamento comunitário de 19 anos. Desenvolvido e implementado pela Asociación Ecosistemas Andinos, organização peruana de conservação sem fins lucrativos, o modelo resultou no plantio de mais de 3 milhões de árvores nativas, incluindo 1,5 milhões de polylepis. Restaurar florestas que crescem logo abaixo das geleiras (em declínio) é uma solução econômica para a resiliência climática a longo prazo.

“Proteger as florestas tropicais remanescentes e restaurar florestas degradadas e outros ecossistemas pode representar até 30% da solução imediata para as mudanças climáticas”, diz Tim Christophersen, Especialista em Ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). “O envolvimento da comunidade no plantio da árvore certa no lugar certo é um elemento importante de qualquer programa de reflorestamento”.

Os líderes locais da Acción Andina estabelecem laços com as comunidades que concentram sua antiga tradição inca de “Ayni” (similar à reciprocidade) no reflorestamento para benefício mútuo. Os líderes de conservação utilizam as antigas tradições incas das comunidades locais para adaptar o modelo.

Nos próximos 25 anos, a Acción Andina visa proteger os 0,5 milhões de hectares restantes de florestas nativas de polylepis cruciais em seis países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru) e reflorestar outros 0,5 milhões de hectares.

Quase inteiramente perdidas, essas florestas servem como reservatórios de água para as comunidades, habitat para a fauna e flora e garantem a funcionalidade de toda a Amazônia. Das comunidades mais altas às principais cidades e a Amazônia, todas dependem da água para prosperar.

A Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas 2021-2030, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e parceiros como a iniciativa Africa Restoration 100, o Fórum Global de Paisagens e a União Internacional para a Conservação da Natureza, abrange os ecossistemas terrestres e marinhos. Um apelo à ação global, reunirá apoio político, pesquisa científica e força financeira para ampliar massivamente a restauração. Ajude-nos a moldar a Década.

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