Sustentabilidade

Projeto de bioconstrução no Semiárido brasileiro é destaque na ONU

O modelo foi projetado para minimizar uso de recursos, reutilizar água e materiais e integrar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis.

O arquiteto brasileiro Bernardo Andrade usou a bioconstrução para reduzir os impactos ambientais da construção civil no Semiárido. Ele criou um protótipo de casas de baixo custo que utilizam recursos locais, como madeira e terra, e se adaptam às necessidades da população local. O modelo foi projetado para minimizar uso de recursos, reutilizar água e materiais e integrar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis. Ele foi um dos cinco finalistas latino-americanos e caribenhos do prêmio global Jovens Campeões da Terra da ONU Meio Ambiente.

As populações do Semiárido brasileiro, região que ocupa cerca de 18% do território nacional, enfrentam diversos desafios socioambientais, como ciclos de chuva escassos, solos degradados e altas temperaturas. Em conjunto com políticas públicas específicas para a região, ideias inovadoras e sustentáveis podem ajudar a amenizar o impacto destas características locais — e ainda gerar benefícios para as pessoas e o meio ambiente.

Ele criou um protótipo chamado “Casa do Semiárido”, de baixo custo, que utiliza recursos locais, como madeira e terra, e se adapta às necessidades específicas desse bioma. O modelo foi projetado para minimizar uso de recursos, reutilizar água e materiais e integrar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis. “Quando estava na universidade, assisti a um documentário de Michael Reynold que teve um grande impacto na maneira como eu pensava a arquitetura. Então, decidi ser voluntário no instituto dele, no Novo México, Estados Unidos, para aprender algumas das técnicas mostradas no documentário, como o uso de materiais considerados resíduos em projetos de alvenaria e incorporação de plantas que realizam serviços ecossistêmicos de saneamento”, conta.

“A escassez de água é provavelmente o maior problema do Semiárido. Assim, ao planejarmos a casa modelo, pensamos em expandir os reservatórios tradicionais de captação de água. Também criamos mecanismos para armazenar e reutilizar este recurso, separando a água destinada às pias e chuveiros (água cinza) daquela que abastece a descarga de vasos sanitários”, explica.

Na Casa do Semiárido são adotados mecanismos de baixo custo. A água cinza é filtrada com o uso de bananeiras e é reutilizada, por exemplo. Já a água da descarga passa por uma câmara subterrânea com múltiplas camadas de plantas, como o mamão, que absorvem seus nutrientes. “Além de fazerem o tratamento da água, estas plantas ainda produzem alimento para as famílias e animais. Além disso, construímos todo o entorno da casa de forma que retenha o máximo de umidade possível, preservando a vegetação local sem perda da fauna original, regenerando gradualmente os solos degradados e possibilitando a produção agroflorestal para consumo e renda”, conta.

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