30-09-2016

Produção de enzimas e economia verde

Neste século 21, o tema e os conceitos da economia verde são urgentes para a vida e sustentabilidade no nosso planeta. Na época do evento da Rio+20, as discussões centrais da Conferência das Nações Unidas já davam indícios que o assunto sobre desenvolvimento sustentável seria tema principal do encontro.

O que dificulta a implementação das medidas sustentáveis tão discutidas é a fragilidade das ações de empresas e governos. Sabe-se que apenas artesanato e extrativismo não bastam para a real mudança de atitude que o nosso planeta necessita. Unir ciência e empreendedorismo é uma alternativa para aprofundar as práticas do desenvolvimento sustentável. Exemplo disso é a família Craveiro, moradora da região Nordeste do Brasil. Em 1988 o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Aragão Craveiro, recebeu um pedido de um produtor de camarão para pesquisar uma solução para os resíduos de processamento do crustáceo. A família então resolveu entrar na pesquisa para achar uma solução e dar um bom fim àquelas montanhas de cascas e cabeças do animal. A primeira ideia para solucionar o problema já veio: eliminar esses resíduos transformando-os em matéria-prima. Com os estudos e pesquisas, a família descobriu que na pele do camarão e de outros crustáceos existe um polímero natural chamada quitina, cuja principal propriedade é absorver e reter gorduras e óleos. Com base nisso, a família desenvolveu a quitosana para combater o colesterol alto e a obesidade. Uma indústria entrou no negócio e começou a produzir e comercializar cerca de 1 milhão de cápsulas por ano. Daí entra a economia verde e seus benefícios sociais.

Outro exemplo de desenvolvimento sustentável e ideia para a prática da economia verde é a produção de enzimas para substituir futuramente o petróleo como fonte principal de combustíveis, produtos químicos e biomateriais.  As enzimas são catalisadores biológicos que atuam de forma bastante específica nos processos industriais de obtenção dos mais diversos produtos, contribuindo na diminuição de custos e da degradação do meio ambiente.

Além disso, para o alívio de todos, a questão da preservação ambiental não é algo em que se investe pouco. Claro que, dados assustadores fazem com que países desenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil, acordem para esse tema e reajam diante da falência da natureza e dos nossos recursos hídricos. Cerca de 80% do nosso planeta encara ameaças ao abastecimento de água e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) assinala o risco da ‘morte’ de reservatórios de água em todo o mundo e a redução de 50% dos pântanos e áreas alagadas nos últimos 100 anos.

Programas mundiais envolvendo vários países conseguiram preservar 117 milhões de hectares de terra e economizaram cerca de 138 mil megalitros de água dos reservatórios naturais. O setor está em grande fase de crescimento e 20 bilhões de reais foram investidos apenas no último ano. A China é o país que lidera a lista de investimentos, só que a América Latina não está ficando para trás. A tendência é investir cada vez mais no setor, gerando além de conservação do nosso planeta, renda para a população.

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