29-07-2016

Os benefícios da sustentabilidade para o meio ambiente

 
É possível conciliar dois interesses aparentemente irreconciliáveis? Talvez nunca como nos tempos em que vivemos essa pergunta foi tão essencial de ser respondida: como continuar crescendo economicamente sem sacrificar a preservação dos ecossistemas? A resposta dessa indagação consiste em uma palavra composta: sustentabilidade ambiental, que já é um pré-requisito fundamental para se falar em crescimento sustentável. Foi-se o tempo em que para o crescimento econômico acontecer teria que se sacrificar o meio ambiente. A sustentabilidade ambiental consiste nas ações empreendidas pelas pessoas que visam não apenas atender às necessidades humanas, numa visão de curto prazo, mas também se preocupam com o reflexo dessas ações no futuro, uma visão de longo prazo. O empreendedor que se norteia por essa filosofia, pensa num mundo melhor para futuras gerações.
 
Essa nova concepção de uma economia norteada pela sustentabilidade ambiental já vem acontecendo nos últimos anos no Brasil. Evidentemente que grande parte do empresariado vem despertando o interesse para essa questão porque constataram, a duras penas, que tudo no mundo material é finito e que todos os reinos na natureza estão integrados, o que constitui, em essência, o ecossistema. Talvez isso explique fenômenos como o aquecimento global, por exemplo, que vem acontecendo nas últimas décadas e que tenderá a se acentuar caso não haja uma nova postura do ser humano em sua ação na natureza. Nesse âmbito, não dá para tratar sobre sustentabilidade ambiental sem considerar o crescimento sustentável, que consiste em um crescimento permanente e seguro da economia; e a gestão sustentável, que é administrar uma empresa procurando valorizar todos os fatores nos quais ela está inserida, neste caso, o meio ambiente.

Como a sustentabilidade vem se tornando uma divisora de águas para o meio ambiente e para a sociedade

A mudança de mentalidade que vem acontecendo de maneira gradual, tem como fator determinante, a escassez de recursos naturais. Isso fica patente em relação à realidade que vivemos no Brasil, que nos últimos anos experimenta uma situação que até bem pouco tempo era impensável: a escassez de água. O fato é que a constatação dessa realidade, de que a água também é finita, tem provocado uma mudança drástica no comportamento, seja das pessoas, seja das empresas, que tem optado pelo uso e reuso da água. Aliás, essa preocupação não vem de hoje, tanto que o racionamento e a escassez desse bem natural já estão presentes na própria Constituição que, cita, inclusive a água como um bem da União ou dos estados. Em 2005, foi publicada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), a Resolução 54 de 28 de novembro de 2005, que trata exatamente sobre o reuso de água não potável. O reuso da água gerou uma série de benefícios, tais como a geração de energia, refrigeração de equipamentos e dos espaços públicos, a limpeza de praças, ruas, galpões de fábricas. Com o aproveitamento da água que era desperdiçada, a água potável, cada vez mais, fica concentrada unicamente para matar a sede das pessoas.
 
Mas há outros benefícios decorrentes da preocupação com a sustentabilidade ambiental. Muito se discute sobre como lidar com os lixões ou aterros sanitários que foram se formando ao longo de décadas, inclusive sobre como dar um fim a esses locais, mas eis que alguns empresários optaram em aproveitar o gás liberado por essas montanhas de lixo, para gerar energia para beneficiar as pessoas que moram próximo desses locais, e, claro, beneficiar as empresas, ou seja, de um limão é possível sim se fazer uma limonada. Algumas empresas procuram cuidar do entorno do bairro em que estão localizadas, preocupando-se com o replantio e cuidando das áreas verdes, ou então de praças. Nessa nova concepção, não se admite mais uma empresa que se instale em um bairro e não gere benefícios que sejam revertidos para os moradores da região.

Novas frentes de trabalho

A sustentabilidade ambiental, vale lembrar, além de colaborar com a implantação de uma nova mentalidade, seja por parte das empresas como por parte das pessoas em relação ao importante papel que o ser humano desempenha na natureza e na preservação do ecossistema, tão castigado, depois de décadas de descaso, gerou novas frentes de trabalho. Uma delas se deu, com a adoção por parte das empresas e das pessoas, do processo de reciclagem, com o reaproveitamento de todos os restos de produtos, no caso, vidro, alumínio, papel e plástico, na linha produção. No caso do alumínio, ele pode ser 100% reaproveitado. Com essa medida, além de elas reduzirem drastricamente seus custos de produção, propiciaram o surgimento de um novo tipo de fornecedor: as cooperativas de catadores de papel e alumínio, que geraram milhares de empregos, principalmente para moradores de rua.

Um longo caminho ainda a ser explorado

No entanto, por ser um conceito muito recente, ainda há muito o que se fazer nessa área de sustentabilidade ambiental no Brasil. Apesar de haver diversos estudos na área acadêmica sobre o uso de energias alternativas, tais como a eólica, no caso dos ventos; a biomassa, baseada na cana de açúcar, no eucalipto, ou seja, utilizando biotecnologia, entre outras, estamos ainda muito presos ao uso de energias convencionais, tal como a energia hidroelétrica. Basta lembrar que 90% da energia elétrica que o brasileiro consome vem das caras usinas hidrelétricas. Mas nem tudo está perdido, se o Brasil ainda ousa pouco no uso de energias alternativas, avança no uso do álcool como combustível, extraindo da cana de açúcar o etanol. Fora o Brasil, o único outro país que tem essa preocupação é a Rússia, que extrai metanol do eucalipto. O Brasil caminha para retirar álcool de outras fontes, tais como milho, sorgo, beterraba, cevada, batata, mandioca, girassol e também do eucalipto.
 
Resta ao Brasil abrir outras frentes relacionadas à sustentabilidade ambiental, na área de mobilidade urbana, pela adoção de transportes coletivos ecologicamente corretos. De qualquer maneira, alguns modelos estão sendo desenvolvidos com esse padrão: um modelo desses ônibus circulará durante as Olimpíadas, no Rio de Janeiro, composto de cilindros de hidrogênio gasoso, no teto, pilha combustível que quando entra em contato com o oxigênio do ar, localizado na parte traseira, transforma o hidrogênio em eletricidade. Vale lembrar que está sendo desenvolvido também um ônibus híbrido movido a etanol, e outro 100% elétrico. Como se vê, a sustentabilidade ambiental é um processo irreversível e passará a fazer parte cada vez mais constantemente das atividades humanas.

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