19-09-2017

O Bioetanol se prepara para um novo salto

O encontro TECO – Taller de Etanol Combustible, realizado na Argentina nos dias 12 e 13 de setembro, reuniu a cadeia produtiva e funcionários do governo argentino para analisar as perspectivas da atividade no país. Existem tendências importantes sobre as modificações na regulação do setor que poderão gerar importantes investimentos

 

Os principais protagonistas da indústria de bioetanol se reuniram durantes dois dias em Río Cuarto, na Argentina, para refletir sobre o futuro de uma atividade que está crescendo exponencialmente e transformando muitas cidades com características produtivas no país.

No marco do encontro TECO – Taller de Etanol Combustible, os representantes da indústria apresentaram números que mostram que estão chegando ao limite da capacidade instalada e revelaram sua intenção de realizar grandes investimentos para ampliar essa capacidade, na medida em que o governo argentino permita o aumento da proporção do etanol na mistura com a gasolina que, atualmente, está limitado em 12%. “Estamos utilizando 1,5 milhões de toneladas de milho e pensamos que, em curto prazo, podemos chegar a 4,5 milhões de toneladas para responder, por exemplo, à exigência de um corte de 25%. Isso implicaria um investimento de 1 bilhão de dólares, o que é factível”, disse Patrick Adam, diretor executivo da Câmara de Bioetanol de Milho em uma das conferências do TECO.

Na sequência, a apresentação de Augustín Torroba, diretor de Biocombustíveis do Ministério de Energia e Minerais da Argentina, que falou sobre a visão do governo em aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz de combustíveis líquidos e que, para isso, já está em debate um grupo interministerial para tratar do tema. Mesmo não entrando em questões precisas sobre as mudanças que estão sendo preparadas em matéria de regulação, adiantou que “seria muito atrativo introduzir a tecnologia flex com um quinto de álcool hidratado e manter a taxa de 12%”, mas logo reafirmou que o tema ainda está sendo analisada.

O impacto social que foi gerado pelas novas plantas foi destacado pelo painel que reuniu os presidentes de empresas produtoras, como Manuel Ron (Bio4) e Victor Accastello (ACA BIO), com Juan Manuel Llamosas (Río Cuarto) e Aldo Etcheverry (Alejandro Roca). Eles mostraram como a instalação das novas indústrias geraram novos empregos e promoveram toda uma transformação nas comunidades em que estão inseridas, contribuindo para a retenção de jovens nas localidades, a chegada de novos profissionais, o surgimento de novas oportunidades de educação e a criação de todo um ecossistema de serviços em torno dessas propostas de geração de valor agregado em sua origem.

As expectativas para o futuro foram detalhadas na mesa que analisou a grande oportunidade existente para os biocombustíveis diante da necessidade de reduzir, drasticamente, a emissão de gases de efeito estufa. Nesse sentido, William Yassumoto, diretor de Biorrefinarias da Novozymes, apresentou como exemplo o mercado automotivo. “A quantidade de carros vai se multiplicar até 2050 e os biocombustíveis são a fonte de energia mais sustentável e com melhor relação custo/benefício do mercado”, disse.

O encontro reuniu uma série de conversas técnicas com a participação de especialistas de diversos países, como Estados Unidos, Brasil, Canadá, Áustria, Índia e Dinamarca, e foi organizado pela Novozymes. O TECO tem como objetivo criar um espaço de interação e geração de conhecimento para toda a indústria. Segundo o presidente da Novozymes Latin America, Emerson Vasconcelos, “sozinho não é possível mudar o mundo, é necessário que formemos alianças e acordos para conseguir atuar. Por isso, é uma grande satisfação ver que podemos colocar em uma mesa especialistas de diferentes partes da cadeia produtiva para pensar e trabalhar em projetos orientados para a sustentabilidade. Nosso objetivo é criar um mercado de bioeconomia, porque acreditamos que o mundo precisa ir nessa direção”, comentou.

E hoje, dia 18 de setembro, em Cuiabá, no Mato Grosso, tem início a primeira edição brasileira do TECO. Confira mais informações aqui.

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