24-01-2017

Energia sustentável: cientistas geram energia com tomates que iriam para o lixo

O que um supermercado deve fazer com tomates danificados que já não servem mais para serem consumidos em forma de alimento? É provável que a primeira resposta que vem à mente envolva jogá-los no lixo ou utilizá-los como adubo. Até então estas parecem ser as atitudes mais viáveis e apropriadas. Porém, um grupo de cientistas está buscando uma função incomum para os tomates danificados: gerar energia. O projeto piloto, apresentado em um encontro da American Chemical Society (ACS), tem utilizado uma célula à base de combustível biológico composta por resíduos de tomate.

Mas, como é possível gerar energia a partir do tomate? Devido à ação oxidante das bactérias aeróbicas, os resíduos de tomate são processados e geram uma corrente elétrica. Os pesquisadores divulgaram que o pigmento de licopeno do tomate propicia a geração de cargas elétricas. Para complementar as boas notícias, todo o processo consegue neutralizar os resíduos, evitando que sejam emitidos gases de efeito estufa na atmosfera. Até então, os testes em pequena escala apontaram que é possível gerar em torno de 0,3 W de eletricidade por 10 miligramas de produto. A intenção é que o processo seja aperfeiçoado para poder maximizar a escala. Anualmente o estado da Flórida, nos Estados Unidos, descarta no lixo 400 mil toneladas de tomates. Conforme os pesquisadores, as 400 mil toneladas seriam suficientes para gerar energia para abastecer a Disney World por 90 dias. Além do mais, ao depositar todo este rejeito em aterros sanitários, gás metano é liberado na atmosfera.

Outros resíduos como fontes de energia

Um estudo da Bloomberg New Energy Finance, feito nos EUA, mostra que usando menos de 20% dos resíduos agrícolas disponíveis nos EUA seria possível produzir mais de 18 bilhões de litros de etanol a cada ano, quantidade que substituiria 16% do consumo de gasolina em 2030. Os números são ainda mais animadores ao utilizar biomassa obtida a partir de resíduos florestais, resíduos domésticos e culturas energéticas. O etanol celulósico pode ser uma importante fonte de energia sustentável. As matérias-primas, incluindo espigas de milho, palha de trigo, biomassa lenhosa e resíduos domésticos estão naturalmente disponíveis, e estima-se que o etanol celulósico proveniente de culturas energéticas e resíduos agrícolas possa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em até 130%.

As enzimas são vitais na conversão da estrutura complexa de biomassa em etanol, e a multinacional Novozymes tem mais de uma década de experiência no aperfeiçoamento do processo de conversão de biomassa. Hoje, as soluções de última geração tornam a tecnologia disponível a um custo comercialmente viável. A Novozymes alimenta o site Bioblog (www.bioblog.com.br), nele estão disponíveis diversas outras informações curiosas ligadas à biologia e sustentabilidade.

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