06-10-2017

Dinamarca consegue reduzir em 25% o desperdício de alimentos

O esforço começou pela população, mas grandes empresas, chefs de cozinhas e supermercados aderiram à proposta.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 será necessário aumentar em 60% a oferta para alimentar os quase 10 bilhões de seres humanos que habitarão a Terra. A Dinamarca já mostra que o esforço na redução do desperdício é possível.

O país conseguiu reduzir, nos últimos cinco anos, conforme o Conselho de Alimentação e Agricultura do país, o desperdício de alimentos em 25%, com a ajuda de um movimento popular chamado “Stop Spild Af Mad” – ou pare de desperdiçar comida.

O esforço começou pela população, mas grandes empresas, chefs de cozinhas e supermercados aderiram à proposta. O autor Jonathan Bloom, que escreve para a National Geographic, listou alguns destes costumes que colaboram para que menos comida seja jogada fora.

O primeiro deles é o ativismo. A Dinamarca tem uma líder de extrema importância no combate ao desperdício de alimentos. A principal ativista sobre o tema no país é a russa Selina Juul, que se mudou do seu país quando ainda era uma adolescente. Ao chegar à Dinamarca, a jovem ficou impressionada com a quantidade de comida que era normalmente descartada pelas pessoas. Assim, ela criou um grupo de ativistas que ganhou força entre a população e espaço dentro do governo. Os esforços individuais podem, sim, fazer diferença em uma sociedade inteira.

Outro ponto, foi a ideia de que combater o desperdício de alimentos está na moda e os dinamarqueses gostam de estar na moda. O assunto é tão popular na Dinamarca que até mesmo a Princesa Marie compareceu pessoalmente à inauguração de uma loja que comercializa alimentos fora da data de validade. A Princesa apoia o conceito da loja e incentiva o comércio de comidas que tenham vencido, mas que continuem próprias para o consumo humano.

Devido ao tamanho da Dinamarca, fica muito mais fácil trabalhar o conceito em escala nacional. As campanhas governamentais conseguem, facilmente, atingir a toda a população. Mesmo que as dimensões mostrem as dificuldades que outros países podem ter em atingir resultados semelhantes, o exemplo comprova que é possível ter resultados extremamente expressivos quando se trabalha em escalas menores.

Além disso, os dinamarqueses são naturalmente comedidos. Comida é um item caro na Dinamarca. Os dinamarqueses gastam, em média, 11% do salário apenas para comprar comida, enquanto nos EUA, um dos países com maior índice de desperdício no mundo, a população gasta 6,4% do orçamento mensal com alimentação. Quando algo custa caro as pessoas tentem a desperdiçar menos ou a, realmente, valorizar mais aquilo.

Como comida é algo caro, os dinamarqueses tendem a fazer as refeições em casa ao invés de comerem em restaurantes com frequência. Quando as pessoas cozinham ficam muito mais fácil incorporar alimentos que sobraram na geladeira ou no armário à refeição. Por fim, quando não se tem muito espaço para resfriar ou congelar alimentos, a pessoa tende a comprar quantidades menores, justamente para não correr o risco de perder a comida perecível por não ter como acomoda-la adequadamente. Isso também ajuda as pessoas a controlarem o que têm em casa antes de irem às compras, evitando adquirir além do que precisa.

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