10-05-2017

Degomagem enzimática ajuda a diminuir etapas produtivas do biodiesel

As enzimas ajudam na conversão da estrutura complexa do óleo com mais qualidade e praticidade, deixando o biodiesel comercialmente mais competitivo

             O biodiesel é uma das principais apostas do Brasil no setor de combustíveis renováveis. Com terreno fértil e clima favorável para o plantio de diversas oleaginosas, como milho, girassol, canola, soja, entre outras, e já com a expertise do setor no cultivo e refino da cana-de-açúcar para a produção de etanol, diversas empresas no país estão focadas nesse mercado que se apresenta cada vez mais promissor.

As sementes saem do campo direto para a indústria e passam por diversos etapas de produção até chegar às bombas de combustível de todo o país. Na indústria as sementes são limpas, secas e cortadas em fatias finas. A partir daí o óleo é extraído por meio de um processo químico. Já na versão líquida é realizada a degomagem, que é um processo voltado para a remoção de fosfatídeos, também conhecidos como fosfolipídeos ou simplesmente gomas, que podem ser hidratáveis ou não hidratáveis.

Os fosfatídeos são muito utilizados na indústria como emulsificantes, mas eles também aumentam as perdas durante o processo de refino, além de estarem ligados a metais presentes no óleo bruto. Isso afeta a qualidade do óleo, por isso, a degomagem é uma etapa muito importante e precisa ser realizada antes da neutralização, branqueamento e desacidificação do produto para biodiesel.

Os líquidos gerados a partir da canola, do girassol e da soja são os que apresentam maior teor de fosfatídeos e precisam passar pelo processo de degomagem, pois a diminuição ou eliminação dessa substância contribui também para uma redução na geração de subprodutos gerados durante o refino.

As gomas hidratáveis são, normalmente, removidas com adição catalisadores e água, aplicados em quantidade equivalente ao volume de fosfatídeos. Elas são insolúveis no óleo, por isso, podem ser separadas. Em uma semente de boa qualidade, cerca de 90% dos fosfatídeos são hidratáveis, ou seja, podem ser removidos. Além desse processo de extração, muitas indústrias utilizam tratamento com outros catalisadores químicos, mas, dessa forma, é preciso seguir uma longa etapa de produção, sem contar com outra desvantagem da catálise alcalina, que é a geração de grandes efluentes que precisarão passar por um rigoroso sistema de tratamento.

Atualmente, novas formas de degomagem ganham a atenção do setor produtivo, como a enzimática, que contribui para aumentar o rendimento do óleo, favorece a remoção dos fosfatídeos com muita qualidade, ajudando a diminuir etapas de produção. Após passar pela degomagem enzimática o óleo é direcionado diretamente para branqueamento e desacidificação, chegando na matéria-prima ideal para a transformação em biodiesel.

O mais importante é que a enzimas permitem a degomagem total do óleo sem aumentar a sua acidez e também permitem o reuso desse biocatalisador, reduzindo custos e melhorando a qualidade do produto obtido. As enzimas ajudam na conversão da estrutura complexa do óleo com mais qualidade e praticidade, deixando o biodiesel comercialmente mais competitivo. A Novozymes, reconhecida mundialmente pela qualidade das suas enzimas industriais, possui uma série de soluções biológicas que contribuem para maximizar a produção e reduzir o consumo de água e energia utilizadas durante o processo de produção de biodiesel. Aqui no Bioblog é possível conferir toda a atuação da Novozymes na área de biocombustíveis.

Quer fazer um comentário?