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Como uma fake news sobre vacinas e autismo resultou na infecção de mais de 500 pessoas em três meses na Europa

Um dos principais mitos da atualidade, que vacinas causam autismo, pode ser o responsável pelo novo surto de sarampo que está tomando proporções mundiais.

Um dos principais mitos da atualidade, que vacinas causam autismo, pode ser o responsável pelo novo surto de sarampo que está tomando proporções mundiais. Como explicado aqui no Bioblog, não há nenhuma evidência científica de relação entre as vacinas e o autismo/transtornos autistas.

O mito começou a se espalhar pelo mundo quando um estudo, apresentado em 1998 pelo médico inglês Andrew Wakefiel, então publicado pela revista Lancet, levantou preocupações sobre essa possível relação. Ele foi posteriormente considerado seriamente falho e o artigo foi retirado pela revista que o publicou, e seu autor foi impossibilitado de exercer a medicina.

Mas a sua publicação foi o que bastou para desencadear pânico e levar à queda das coberturas de vacinação, expondo a população a subsequentes surtos de sarampo em todo o mundo. Apenas nos três primeiros meses de 2017 foram registrados 500 casos de sarampo na Europa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Europa teve um aumento de 400% nos casos da doença no ano passado, na comparação com 2016, o que levou os líderes da União Europeia a se reunirem, no começo do ano, para discutirem estratégias para combater a doença.

A OMS disse que, dos 53 países europeus, 15 tiveram surtos de sarampo, principalmente, a Itália, a Romênia e a Ucrânia. Nessas nações, houve declínio da cobertura de vacinação de rotina, o que gerou cerca de 5 mil casos ou mais em cada país. Alemanha, Bélgica, Bulgária, França, Espanha, Reino Unido e Rússia também tiveram centenas de casos de sarampo no ano passado.

O Ministério da Saúde alerta para vacinação em dia. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina tríplice viral, que evita o sarampo, a caxumba e a rubéola. A primeira dose deve ser tomada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, é necessária uma dose da vacina tetraviral, que corresponde à segunda dose da vacina tríplice viral mais uma dose da vacina contra a varicela.

Caso haja atraso na vacinação, crianças de até 4 anos ainda podem receber a vacina com o componente varicela. A partir dos 5 anos até os 29 anos de idade, deverão ser administradas duas doses da vacina tríplice viral. Pessoas de 30 a 49 aos de idade devem receber uma só dose da vacina tríplice viral, caso não tenham sido vacinadas na idade correta.

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