19-09-2016

Biotecnologia na produção de cosméticos

O último grande levantamento de dados, feito pela Euromentor Internacional (2012), concluiu que nesse ano a produção mundial de cosméticos movimentou cerca de US$ 433,2 bilhões de dólares e não parou mais de crescer. No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), essa indústria, que representa 1,7% do PIB do país, registrou um faturamento de R$ 43,5 bilhões de reais em 2015, apesar de  ter fechado o ano amargando uma queda de 6,6% nas vendas totais e de 8% do seu faturamento. Oscilando entre o 3º e 4º lugar entre os países mais importantes na produção de cosméticos no mundo (os Estados Unidos são o nº 1), o Brasil tem atualmente registrados cerca de 600 mil empreendimentos no setor e mais de 2.500 indústrias em atividade.

Um dos principais trunfos da biotecnologia na produção de cosméticos está no uso das enzimas, espécies de proteínas presentes nas células animal e vegetal, e que têm o poder de interferir em quase todas as funções metabólicas dos organismos vivos. Enzimas como a papaína, por exemplo, são extraídas do mamão e muito utilizadas em cosméticos para a pele, graças às suas propriedades antialérgicas, esfoliantes e cicatrizantes. A bromelina é uma enzima extraída do abacaxi, e muito utilizada como agente de limpeza no combate à celulite, renovação celular, entre outras funções. As xilases possuem grande poder de hidratação e do balanceamento queratínico, por isso mesmo, são algumas das principais descobertas da biotecnologia para a produção de cosméticos.

A utilização da biotecnologia para a produção de cosméticos vem sendo bastante observada atualmente, devido ao fato de potencializar, de forma natural, os princípios ativos das matériasprimas utilizadas na produção desses produtos. Além disso, reduz os custos de produção (graças à simplicidade do isolamento dessas enzimas), diminui a necessidade de utilização de corantes artificiais, substâncias químicas e emulsões (já que, em certa medida, realizam as funções destas), e, no caso dos produtos capilares, resguardam as fibras sob os fios, fazendo com que a substância penetre mais facilmente e diminua os riscos de efeitos colaterais nos humanos.

Do ponto de vista da preservação do meio ambiente, a biotecnologia diminui o uso de ácidos e compostos químicos, na medida em que esses são substituídos por enzimas que atuam em praticamente todas as fases da produção de cosméticos: na potencialização e criação de novas variações de cores e texturas, liberando com mais eficiência e rapidez os principios ativos da matéria-prima utilizada. Contribuindo, com isso, para uma sensível diminuição do nível tóxico dos seus efluentes. Além disso, permite um menor consumo de energia (devido à simplicidade do processo de adição de enzimas aos cosméticos), do uso da água, sem contar o estímulo ao reflorestamento sustentável, para a obtenção das matérias-primas envolvidas na produção desses produtos.

Por tudo isso, o uso da biotecnologia para a produção de cosméticos, vem sendo considerado um caminho praticamente sem volta, num momento em que a preocupação com a manutenção da vida e das gerações futuras é praticamente um consenso.

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