06-05-2017

A última chance de um acordo climático global

Os países caminharam para um acordo global sobre o clima em uma reunião crucial na ONU em Paris no ano passado. Antes da realização desse importante encontro, Jen Boynton, Editora-chefe da TriplePundit, disse ao blog da Novozymes na Dinamarca, o que estaria em jogo e por que as empresas desempenham um papel importante no processo. Confira a entrevista completa.

 

Depois de mais de 20 anos de negociações, uma conferência internacional liderada pelos EUA pretende alcançar um acordo juridicamente vinculativo sobre clima, na expectativa de manter o aquecimento global abaixo de 2° C. O encontro aconteceu em Paris, em dezembro. A reunião da Conferência das Partes (COP21) reúne chefes de governo, líderes empresariais, especialistas em clima, organizações não governamentais, imprensa e muitos outros interessados na temática: questões climáticas.

 

Especialistas acreditam que a COP21 é um esforço de fazer ou quebrar paradigmas para conseguir um acordo global sobre o clima. Jen Boynton, editora-chefe da TriplePundit, uma popular e respeitada fonte de notícias sobre meio ambiente e sustentabilidade, nos diz por que precisamos de um acordo na COP21 e por que as empresas desempenham um papel importante nisso.

 

 

Por que é crucial para o mundo que haja acordo sobre um acordo climático em Paris, em dezembro?

Estamos caminhando para uma mudança climática cataclísmica se continuarmos fazendo negócios como estamos acostumados. O mundo está se aquecendo de modo que não podíamos prever e, isso, poderia mudar o mundo como o conhecemos até o ano de 2100. As conversas da COP21 são amplamente consideradas e é a nossa última chance de obter um compromisso global para retardar ou diminuir esse desenvolvimento.

A nossa atmosfera é, atualmente, de 397 partes por milhão de CO2. O nível de segurança mundialmente considerado é de 350 ppm. Projeções do IPCC mostram que, se continuarmos a agir como atuamos até agora, esse número continuará subindo. Isto significa que vamos ultrapassar os 2° C de aquecimento, que é o limite máximo em que podemos chegar. Além disso, veremos um ciclo de feedback onde os impactos da mudança climática vão acelerar a taxa de aquecimento.

Se todos os países cumprirem os compromissos que ofereceram (por meio de contribuições nacionais determinadas, ou INDCs) antes das conversas sobre o clima, com base nos cálculos que tenho visto, vamos manter a 2.7° C de aquecimento. Não é tão baixo quanto nós precisamos, mas é a maior redução que vimos até agora.

 

Haverá um grande empurrão para colocar um preço sobre o carbono na COP21?

Eu não acho que veremos um preço global sobre carbono saindo destas negociações, mas vamos ver um grande passo em direção a um compromisso global e acordos sobre os compromissos de redução. Os países terão que resolver, eles mesmos, como vão cumprir esses compromissos. Alguns optarão por colocar um preço sobre o carbono e usar mecanismos de preços para cumprir seus compromissos.

Alguns vão colocar atrativos para incentivar o setor privado a se afastar de combustíveis fósseis ambientalmente onerosos. Atualmente, há US$ 431 bilhões gastos globalmente para sustentar e apoiar a indústria de combustíveis fósseis. Ao eliminar alguns desses combustíveis, você vai impactar fortemente em como as empresas escolhem sua energia e, naturalmente, vai incentivar a energia limpa.

 

Em quais tópicos você acha que haverá acordo na COP21?

Veremos os compromissos dos 140 países que apresentaram seus INDCs. Veremos alguns apoios globais oferecidos por países desenvolvidos a países em desenvolvimento e economias emergentes. Por exemplo, haverá algum auxílio extra a países altamente vulneráveis ​​às mudanças climáticas, como as nações insulares e Bangladesh. Quanto de apoio e a capacidade desse apoio, ainda está no ar, não podemos prever.

 

O que tem incentivado as empresas a levarem a sério a abordagem das mudanças climáticas?

Muitos líderes empresariais estão começando a ver que os resultados das mudanças climáticas, como o aumento das tempestades, a seca, as inundações e o aumento do nível do mar, têm um impacto imediato em seus resultados. Independentemente dos impactos de curto prazo, a incerteza causada pela possibilidade desse aumento será muito alta.

Os líderes empresariais querem que seus governos assumam compromissos firmes para que eles tenham uma estrutura de políticas em vigor, mais atrativas. Uma política forte que apóie a ação da mudança climática irá ajudá-los a operar de modo a ter um planejamento que considere o impacto em longo prazo, com despesas de curto prazo, ao fazer mudanças.

 

As empresas estão fazendo cada vez mais parcerias para influenciar a agenda de sustentabilidade?

Sim, nós estamos vendo muito mais colaboração do que problemas, como era anteriormente, porque a mudança climática é o desafio que definirá a nossa geração e ninguém realmente sabe exatamente o quão ruim vai ficar, ou qual será a solução que transformará essa realidade. Isso faz com que as empresas reajam e, ao colaborarem, em vez de competir, podem compartilhar informações e se ajudar mutuamente a avançar mais rapidamente.

 

A COP21 corre o risco de se tornar apenas mais uma conferência climática da ONU com pouco impacto?

Aqueles que vão para a COP21 entendem que esta é a última chance [para um acordo global sobre o clima]. As pessoas investidas neste processo parecem realmente empenhadas na colaboração e coordenação necessárias. O fato de que eles começaram com compromissos, antes mesmo das negociações começarem, e estão negociando agora, me faz esperar por um bom resultado.

 

* A COP21 é a mais recente de uma série de reuniões anuais que analisam como os países estão implementando a Convenção do Rio (Rio 92), que estabelece ações para estabilizar as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa. Espera-se que cerca de 50.000 participantes assistam à reunião em Paris.

* A Novozymes está participando da COP21 com uma delegação liderada pelo CEO Peder Holk Nielsen. A empresa usará sua posição de liderança em biotecnologia e forte histórico em sustentabilidade para enfatizar aos políticos e outras partes interessadas as oportunidades que já estão disponíveis para enfrentar os desafios colocados pelas mudanças climáticas.

* O TriplePundit, um Certified B-Corporation, é um dos sites mais lidos do mundo em negócios éticos, sustentáveis ​​e rentáveis, com mais de 450.000 leitores mensais únicos. O site abrange tópicos como desafios globais de água e energia, alimentos sustentáveis, fornecimento de cadeia de suprimentos, cidades inteligentes e relatórios corporativos integrados.

Entrevista e edição: Devapriyo Das (DYDA)

 

Matéria originalmente divulgada no Blog da Novozymes, em 08 de janeiro de 2017.

 

4 comments

  1. A esperança é esses acordos sejam cumpridos! Será bom para o mundo.

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    1. Com certeza! Precisamos que todos se empenhem para que as mudanças ocorram! Um abraço!

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  2. O Meio Ambiente parece mesmo estar nas mãos dos grandes empresários e governantes, mas nós, cidadãos comuns, podemos sim fazer nossas partes. A biotecnologia será um grande aliado nesta luta, mas também depende de nosso apoio. Podemos ser amigos do Meio Ambiente já desde as nossas atitudes caseiras, de um simples uso racional da água e energia elétrica, a adesão de projetos de uso de fontes alternativas de energia, como o etanol, por exemplo. O mundo é nosso. Cuidemos!!

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    1. É isso aí Rogério! Abs,

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