31-05-2017

A evolução tecnológica da indústria da cana-de-açúcar

Do plantio ao produto final, a cana-de-açúcar movimenta o Brasil

             A história do Brasil é marcada pela história da cana-de-açúcar. Por ser um dos maiores produtores do mundo, o país é líder na exportação de açúcar e um dos principais produtores de biocombustível feito a partir da cana. Com uma ampla variedade de espécies, nossa capacidade de plantio, cultivo e safra refletem muito da importância dessa planta para a nossa economia.

A indústria da cana-de-açúcar começou a ganhar um importante destaque na década de 1970, com o programa nacional de melhoramento da cana-de-açúcar, o PLANALSUCAR, que envolveu pesquisadores determinados a buscar novas tecnologias tanto para o cultivo para como para o desenvolvimento da indústria desse setor. O programa contou com várias estações experimentais pelo Brasil, com foco no desenvolvimento de novas variedades de cana e de novas técnicas de manejo, na análise de solos e fertilizantes, entre outros. Em 1975, a produtividade agrícola média girava em torno de 45 toneladas de cana por hectare (t/ha). Já na década passada, esse valor esteve em torno de 75 t/ha, chegando a mais de 80 t/ha em alguns anos. Com o aumento da safra agrícola, em 12 anos, a indústria deu um salto produtivo, passando da utilização de antiquados processos produtivos, para novas formas de processamento dentro das usinas e destilarias.

A produção brasileira de cana quase duplicou em menos de uma década. Nos anos 1980, o setor industrial, com a mecanização das fases de produção agrícola, recebe novos investimentos passando a utilizar equipamentos de controle microeletrônicos, softwares de controle e novos implementos agrícolas. Um estudo da Embrapa mostra que no período de 1976 a 1994, houve um importante incremento na capacidade de moagem no setor industrial, atingindo 100%, elevando também o processo de extração, chegando a pontos de eficiência de 97%, além de aumentar o processo de fermentação em 91%, aumento da produção do álcool em 30% e redução no consumo de vapor em 44%. Na década de 90, também, foi criada a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (ÚNICA), que passou a representar o setor.

Depois da automação, novas iniciativas começam a ser aplicadas, como o monitoramento por satélite, melhoramento genético, alterações no processo de fermentação que colocam a indústria brasileira como altamente produtiva, como a utilização de enzimas para ajudar a acabar com a espuma durante esse processo.

Segundo estudo publicado pelo BNDES, a expectativa de expansão da área cultivada de cana-de-açúcar, de 8,5 milhões de hectares, em 2012, é para cerca 14 milhões de hectares em 2030, e isso vai requerer alterações significativas em todo o sistema de mecanização atualmente empregado para pôr a atividade em níveis adequados de sustentabilidade.

Em 2016, surge o programa RenovaBio, com diversas propostas que pretendem impactar positivamente no setor produtivo. A previsão é de que esse mercado ainda ganhe um aporte de 40 bilhões de dólares em investimentos, gerando uma economia de 45 bilhões de dólares à balança comercial. O programa também busca o desenvolvimento de cerca de 1.600 municípios produtores de cana-de-açúcar, e a ativação do comércio e da indústria nacional, com a aquisição e modernização de máquinas e equipamentos.

Em janeiro de 2017, a revista Opiniões publicou uma edição especial sobre o setor, indo a estrutura até a infraestrutura do setor sucroenergético. Você pode conferir clicando aqui.

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