Sustentabilidade

Um encontro histórico da FAO contra a fome na Jamaica

FAO reuniu representantes para tratar de temas como o combate à fome, à obesidade e às mudanças climáticas

O mês de março foi marcado por um encontro histórico em Montego Bay, na Jamaica. A Conferência regional da FAO na América Latina e Caribe (Food and Agriculture Organization of the United Nations – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) reuniu 33 países membros e foi considerada a reunião mais concorrida de toda história da organização, conforme comentou Julio Berdegué, representante regional da entidade. “Em 40 anos essa foi a conferência mais concorrida. Pela primeira vez, todos os países participantes enviaram delegações”, destacou.

O representante, animado, comemorou a participação de 250 pessoas, duas vezes mais do que nas edições passadas, incluindo representantes dos estados, 50 observadores, pesquisadores e comunidade científica. “Isso demonstra, ao menos, duas coisas: a preocupação dos países diante desse feito inédito, nada semelhante ocorreu em duas décadas, o aumento da fome, da obesidade e da pobreza rural, e é também o reconhecimento pelo trabalho que a FAO vem fazendo junto aos países nesses últimos anos”, explicou Berdegué.

A partir disso, o representante pediu aos países membros da FAO uma política pública clara para que a Organização possa focar seus esforços e recursos nas iniciativas que tenham impacto em grande escala, tendo em vista que o número de pessoas em situação de fome na região aumentou em 2,4 milhões entre 2015 e 2016, alcançando um total de 42,4 milhões.

Nesta edição, observadores da iniciativa privada se uniram aos participantes da sociedade civil e pesquisadores, o que também foi considerado outro feito inédito. “Ficamos muito felizes em ver que o setor privado se sentou conosco à mesa para discutir. Eles nos dizem que querem ser parte da solução dos problemas da desnutrição e da obesidade. Essa boa fé tem que se traduzir em ações concretas. Precisamos de mudanças nas grandes empresas alimentícias para derrotar a epidemia da obesidade, da mesma forma que necessitamos de melhores políticas públicas”, destacou Berdegué.

Encabeçando as discussões, ele afirmou que é preciso recuperar o caminho até a fome zero. Também lamentou o crescimento regional da fome, que vinha diminuindo de forma acelerada, o que pode voltar a acontecer se o combate a fome se tornar uma prioridade política. “A América Latina e o Caribe já demonstraram que é possível reduzir a fome. Cumpriram esse Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. É algo que já fizemos, e muito bem!. Mas acreditamos que essa tarefa já havia sido cumprida, mas, sem dúvida alguma, os números estão mostrando que não”, comentou.

Berdegué avaliou que a Conferência foi primordial para atingir esse objetivo. “Nosso objetivo era que os países saíssem daqui dizendo que não podiam descuidar da luta contra a fome a extrema pobreza, porque se descuidarmos, vamos retroceder”.

Além da preocupação com a fome, o encontro também sinalizou dados alarmantes no crescimento da obesidade, o que tem se convertido em uma epidemia em toda América Latina e Caribe. Outro tema debatido foi o desenvolvimento rural, o impulsionamento necessário para a agricultura familiar, os desafios e oportunidades das migrações, e as políticas públicas necessárias para melhorar a segurança alimentar das mulheres e dos povos indígenas.

Por fim, o terceiro grande tema do encontro foi as mudanças climáticas. O representante destacou a importância de que os países da região possam ter acesso a novas fontes de financiamento, já que a estimativa é de que a América Latina e Caribe precisam de 100 milhões de dólares extras, até 2050, para poder enfrentar o problema.

Você pode conferir a apresentação do representante da FAO assistindo aqui ao vídeo.

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