Bioenergia

Transporte sustentável ganha destaque na COP24

No mundo, mais de 1 bilhão de carros rodam pelas ruas e estradas todos os dias. Até 2040, o número poderá dobrar. Dados foram divulgados durante a COP24

O setor de transporte responde por 25% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Por ano, essa atividade humana produz 8 gigatoneladas de substâncias que contribuem para o aquecimento global. O valor é 70 vezes mais alto do que há 30 anos. Para mudar esse cenário, especialistas discutem soluções sustentáveis de mobilidade na Conferência do Clima da ONU em Katowice, na Polônia, a COP24.

No mundo, mais de 1 bilhão de carros rodam pelas ruas e estradas todos os dias. Até 2040, o número poderá dobrar. “Isso é insustentável, inaceitável e incompatível com as metas do Acordo de Paris”, afirma o presidente da Aliança de Descarbonização do Transporte, José Mendes. A coligação reúne 20 países, cidades e empresas que atuam no nicho de transporte de baixo carbono.

Uma alternativa sustentável viável

É evidente a urgência de se produzir soluções práticas e eficientes na redução dos impactos ambientais causados pelo uso de energias não renováveis no cotidiano mundial, principalmente, na locomoção. No caso brasileiro – país que, durante o Acordo de Paris, assumiu o compromisso de reduzir em 43% suas emissões de CO2 até 2030 – já existe uma alternativa energética viável e disponível: os biocombustíveis.

Os biocombustíveis protagonizam o esforço do país no que tange a redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente relacionados ao transporte, já que o país possui diversos programas de incentivo e tem liderado a discussão em nível mundial. Outro movimento que está aparecendo no mundo é o da substituição de uma frota movida de motores à combustão para elétricos. Essa é uma solução que tem potencial significativo para redução da emissão de CO2 e tem funcionado em muitos lugares, entretanto, precisa ser analisada e ponderada de acordo com a realidade de cada país. No caso do Brasil, um impeditivo ainda é a insuficiência energética do país e as fontes de energia elétrica, nem todas limpas.

Além disso, outros pontos de maneira geral precisam ser avaliados, como o das baterias utilizadas em veículos elétricos. Elas são produzidas a partir de matérias-primas não renováveis e escassas, como lítio e cobalto. Também calcula-se que cada quilowatt/hora de capacidade elétrica corresponde à emissão de 125 quilos de CO2. Uma vez que a vida útil dessas baterias dura em média quatro anos, seu descarte é uma segunda preocupação ambiental. E, um terceiro ponto é a problemática de infraestrutura, necessária para os pólos urbanos no tangente à produção, distribuição e abastecimento destes veículos, sem mencionar a logística de cobrança de energia para cada usuário. Como alertou o dirigente máximo das Nações Unidas: “O crescimento dos veículos elétricos terá um impacto significativo na demanda por eletricidade, e isso precisa ser levado em conta”, disse o chefe da Organização. “Se não for gerida cuidadosamente, a demanda adicional vai criar desafios em todos os setores do sistema de energia, particularmente em momentos de pico”, explicou Guterres.

A outra alternativa, o aumento da produção e consumo de biocombustíveis, é mais viável, como demonstra um estudo realizado pela Embrapa Agrobiologia, no qual se demonstrou que o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é capaz de reduzir em até 73% as emissões de carbono na atmosfera.

Em um momento em que a produção global de etanol deverá duplicar em volume ao longo dos próximos anos, as experiências do Brasil na produção de etanol de cana são relevantes para outros países em desenvolvimento. Saiba mais sobre o assunto aqui no Bioblog.

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *