Sustentabilidade

Sobrepeso e obesidade: temas que marcaram o encontro da FAO na Jamaica

No encontro da FAO o relatório apresentado mostrou que o sobrepeso e a obesidade afetam cerca de 20% dos adultos de 24 países integrantes.

No último encontro da FAO na América Latina e Caribe (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), no mês de março, em Montego Bay na Jamaica, e que contou com a participação expressiva de 33 países, trouxe à tona uma grande preocupação: o alarmante aumento do sobrepeso e da obesidade, o que levou ao Diretor Geral da entidade, José Graziano da Silva, pedir aos governos que redobrem seus esforços contra o problema que afeta, pelo menos, 20% dos adultos de 24 países participantes. Ele disse que é preciso uma transformação radical dos sistemas de alimentação para fazer frente aos índices alarmantes. “Erradicar a fome não deve ser a única preocupação em uma região em que o sobrepeso afeta cerca de 7% das crianças menores de cinco anos e em 20% dos adultos dessas localidades são obesos”, afirmou.

Ele também disse que os países precisam criar sistemas de alimentação realmente sustentáveis, nos quais a produção, comercialização, transporte e consumo dos alimentos garanta uma alimentação realmente nutritiva, destacando que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 foca na erradicação de todas as formas de má nutrição. “O consumo de produtos locais frescos que substituam os alimentos altamente processados também é fundamental”, destacou.

O diretor reforçou que o mundo assiste, na atualidade, a uma epidemia global de sobrepeso e obesidade que vai aumentando cada vez mais em países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Segundo os últimos dados da FAO, mais de 1,9 milhões de adultos sofrem de sobrepeso e obesidade no mundo e, destes, mais de 650 milhões são obesos. A situação, segundo ele, é especialmente preocupante na América Latina, onde a obesidade afeta cerca de 96 milhões de adultos.

Contrapondo com o problema está a questão da fome, mas o diretor acredita que é possível erradica-la. Ele recordou que em 2015 a América Latina e o Caribe se converteram em um exemplo global por ser a primeira região do mundo a cumprir as metas internacionais de redução da fome. Mesmo assim, segundo o Panorama da segurança alimentar e nutricional da região de 2017, o número total de pessoas que sofrem de fome aumentou de 40 para 42,5 milhões. Mesmo diante desse retrocesso, o diretor se mostrou convencido de que o mesmo compromisso político que permitiu alcançar ambas as metas possibilitará a reversão dessa tendência. Ele disse que os países devem seguir apostando nas políticas sociais, econômicas e produtivas mais inclusivas, e no desenvolvimento dos sistemas legislativos e de governo necessárias para promover a segurança alimentar. “Isso é fundamental para alcançarmos o compromisso da CELAC para alcançar a fome zero em 2025”, completou.

Uma das medidas estimuladas pelo diretor é uma maior proteção social e fortalecimento da agricultura familiar. No seu discurso, disse que a combinação dessas medidas promove o desenvolvimento local e contribui para a otimização dos espaços de cultivo, e isso é crucial para reduzir a pobreza rural e fazer frente às diferentes formas de má nutrição.

Graziano afirmou que as mudanças climáticas estão afetando profundamente os sistemas agroalimentares de todo o mundo e, de forma particularmente epidêmica, os países das regiões que recentemente sofreram desastres naturais, como o terremoto do México ou os furacões que devastaram enormes territórios na América Central e no Caribe.

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