Sustentabilidade

Secretário-Geral da ONU diz que o mundo ”está em apuros” com as mudanças climáticas, durante a COP24

A 24ª conferência das partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) (COP24) tecnicamente marca o prazo final para as 197 partes signatárias adotarem as diretrizes para implementação do histórico Acordo de Paris, de 2015.

Durante a abertura da conferência sobre mudança climática COP 24, realizada em Katowice, na Polônia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse para mais de 150 líderes mundiais que “nós estamos em apuros”, e pediu foco em intensificar as ações climáticas, seguindo um plano sólido, com mais financiamento e investimento inteligente no futuro do planeta. A 24ª conferência das partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) tecnicamente marca o prazo final para as 197 partes signatárias adotarem as diretrizes para implementação do histórico Acordo de Paris, de 2015.

Na capital francesa, há três anos, países concordaram coletivamente em manter o aumento da temperatura global em até 2°C acima dos níveis pré-industriais, e, se possível, limitá-los a 1,5°C. Agora, na Polônia, eles precisam concordar sobre formas de alcançar esse objetivo comum. “Não podemos falhar em Katowice”, disse Guterres.

No início do evento, ele destacou as quatro mensagens essenciais para os milhares de representantes de países, organizações sem fins lucrativos, agências da ONU e companhias do setor privado reunidos em Katowice.

  1. “Precisamos de mais ação e mais ambição”: as mudanças climáticas já são “uma questão de vida e morte” para muitas pessoas, nações e países do mundo e que a ciência está nos dizendo que precisamos nos mover mais rápido. Citando diversos relatórios alarmantes da ONU – incluindo um sobre aumento global de emissões de CO2 e outro sobre aumento de concentrações de gases causadores do efeito estufa na atmosfera – Guterres pediu para nações prestarem atenção à ciência e aumentarem o ritmo, assim como suas ambições. “Se fracassarmos, o Ártico e a Antártida irão continuar derretendo, corais irão branquear e depois morrer, os oceanos irão crescer, mais pessoas irão morrer pela poluição do ar, escassez de água será uma praga para uma proporção significativa da humanidade e o custo de desastres irá decolar”, alertou aos presentares antes das negociações.
  2. Diretrizes para implementação são essenciais para aumentar confiança entre países: Afirmando que “não temos tempo para negociações ilimitadas”, o secretário-geral insistiu sobre a necessidade de operacionalizar o Acordo de Paris e lembrou Estados-membros de que 2018 é o prazo estabelecido por eles mesmos para finalizar as diretrizes de implementação.
  3. Financiamento adequado para ações climáticas será “central”: “Precisamos de mobilização orquestrada de recursos e investimentos para combater com sucesso as mudanças climáticas”, disse o secretário-geral da ONU aos delegados que participaram da grande abertura da COP 24, destacando que três quartos da infraestrutura necessária até 2050 para ações climáticas ainda precisam ser construídos. Ele insistiu sobre a necessidade de focar esforços em cinco áreas econômicas essenciais: energia, cidades, uso de terras, água e indústrias.
  4. “Ação climática faz sentido social e econômico”: “Muito frequentemente, ações climáticas são vistas como um fardo”, disse o secretário-geral da ONU, ao explicar que “ações climáticas decisivas hoje são nossa chance de endireitar nosso navio e definir um rumo para um futuro melhor para todos”. O chefe da ONU elogiou cidades, regiões e comunidades empresariais ao redor do mundo por seguirem em frente. “O que precisamos é de liderança política com mais vontade e prudência. Este é o desafio pelo qual líderes desta geração serão julgados”. De acordo com o relatório recente New Climate Economy, “ações climáticas ambiciosas podem produzir 65 milhões de empregos e um ganho econômico direto de 26 trilhões de dólares ao longo dos próximos 12 anos”.

Durante a abertura, a diretora-executiva do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, também anunciou que a organização irá dobrar seus investimentos atuais de cinco anos para apoio às iniciativas sobre mudanças climáticas ao alocar 200 bilhões de dólares a partir de 2020. O valor irá incluir 100 bilhões de dólares diretamente do Banco Mundial, dos quais metade será alocada para iniciativas de mitigação e construção de resiliência, e outros 100 bilhões de dólares de dois membros do grupo do Banco Mundial – a Corporação Financeira Internacional e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos – e capital privado.

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