Sustentabilidade

Seca na América Central gera perdas e ameaça segurança alimentar de 2 milhões de pessoas

Impacto das mudanças climática, a seca na América Central pode aumentar a fome

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) estão preocupados com o fato de que os meses de junho e julho registraram menos chuvas que o esperado e clima mais seco que a média, o que afetou a primeira e principal safra na América Central. A seca recente levou à perda de cerca de 280 mil hectares de feijão e milho em Guatemala, El Salvador e Honduras, afetando potencialmente a situação alimentar e nutricional de mais de 2 milhões de pessoas, alertaram duas agências das Nações Unidas.

“Quando as comunidades rurais estavam se recuperando da seca de 2014 e do fenômeno El Niño de 2015 — o mais forte registrado na história recente — uma nova seca está afetando novamente os mais vulneráveis”, disse Miguel Barreto, diretor regional do PMA para a América e o Caribe. O milho e o feijão, principais alimentos da região, têm sido as culturas mais afetadas pela seca, segundo os governos de Guatemala, El Salvador e Honduras, que registraram perdas de 281 mil hectares dessas lavouras, base para a alimentação e segurança nutricional de grande parte de suas populações.

As agências da ONU advertem que isso pode ser agravado pela possível chegada do El Niño até o fim do ano, o que poderia piorar a já precária situação de segurança alimentar e nutricional das comunidades rurais vulneráveis ​​na região. “A perda total ou parcial das plantações significa que os agricultores e suas famílias não terão alimentos suficientes para comer ou vender nos próximos meses”, disse o comunicado conjunto.

O segundo ciclo da safra — conhecido como “postrera” — que normalmente compensa as deficiências da primeira colheita, ocorre em novembro, mas as agências da ONU alertaram que “mesmo que o El Niño seja fraco, ele terá um impacto significativo no resultado da segunda safra”. “Com o apoio da comunidade internacional, trabalhamos em conjunto com governos e comunidades rurais para ajudá-los a se tornar mais resilientes a variações climáticas extremas, mas precisamos redobrar nossos esforços e alcançar mais comunidades rurais”, explicou Miguel Barreto, do PMA.

Depois do que aconteceu em 2014 e 2015, as organizações humanitárias prestaram assistência alimentar a milhares de pessoas em comunidades vulneráveis ​​na região, para melhorar a segurança alimentar e fortalecer a resiliência no nível familiar, comunitário e institucional. Essas atividades incluíam a conservação do solo e da água, melhores práticas agrícolas e treinamento para lidar com desastres naturais, bem como o fortalecimento dos sistemas de monitoramento da segurança alimentar e nutricional.

“É urgente melhorar a resiliência climática dos habitantes da América Central”, disse o representante regional da FAO, Julio Berdegué. “Estamos particularmente preocupados com o efeito dessa nova seca sobre a migração, em um contexto internacional que restringe o movimento de milhares de pessoas que, em suas localidades, terão grande dificuldade em garantir o sustento de suas famílias”, acrescentou.

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