Sustentabilidade

Quatro aves brasileiras estão declaradas extintas

Relatório da BirdLide International aponta que quatro espécies de aves brasileiras estão declaradas extintas

Um relatório da BirdLide International aponta que quatro espécies brasileiras estão entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo da última década. A instituição destaca ainda que uma quinta espécie, a emblemática ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro. A eliminação desses animais é considerada preocupante pela ONU Meio Ambiente, que alerta para a importância das aves no equilíbrio dos ecossistemas.

A pesquisa, realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o caburé-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conservação revisado pela BirdLife International. A ONG que as espécies fossem acrescentadas à lista de extinções presumidas ou confirmadas, elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Para a entidade, o fim das espécies brasileiras é o resultado de anos de degradação do meio ambiente e consequente destruição do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atlântica da região Nordeste. Em todo o Brasil, o bioma — que cobria 15% do território nacional — sofreu perdas de 1,9 milhão de hectares no período 1985-2017, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. A extensão de floresta destruída equivale à área total do estado de Sergipe. A mesma organização estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no país.

Hoje, os níveis de desmatamento da Mata Atlântica no Brasil são os menores já registrados pela SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — em torno de 12,5 mil hectares destruídos no biênio 2016-2017 em todo o país. A área é bem menor do que a média de 100 mil hectares anuais para o período de 1985 até 2000. Mas os anos de desflorestamento, que remontam a períodos anteriores às medições do INPE e da fundação, contribuíram para fragilizar os ecossistemas remanescentes. A destruição da Mata Atlântica data do início da colonização portuguesa, com a derrubada maciça do pau-brasil, e acompanha ciclos econômicos e agrícolas da história nacional, principalmente o avanço da cana-de-açúcar em diferentes momentos, incluindo na segunda metade do século 20.

O relatório é um alerta para evitar novas extinções no Brasil, país que abriga 1.919 espécies de aves e é a nação com a segunda maior diversidade de aves do mundo, de acordo com a SAVE.

As cinco aves brasileiras analisadas pela BirdLife já haviam sido consideradas extintas na natureza pelo Ministério do Meio Ambiente, mas eram avaliadas como criticamente em perigo pela IUCN. Em 2019, a União Internacional deve reconhecer formalmente os novos status recomendados, em uma atualização da sua Lista Vermelha de espécies ameaçadas.

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