Agricultura e Alimentação Animal

Produção de bioinsumos cresce, mas ainda enfrenta “gargalos”, segundo especialistas

Pesquisadores pedem simplificação no registro de novos produtos, um dos entraves para a expansão do setor

Os bioinsumos são uma variada gama de organismos vivos que, devidamente manipulados, combatem os vetores de doenças. Na agricultura, aparecem como alternativa sustentável aos agrotóxicos químicos e vêm registrando rápida expansão no Brasil.

Em outubro, vários especialistas se reuniram para falar sobre o tema e medir o tamanho desse crescimento, identificar alguns dos entraves do setor e permitir o uso dessa tecnologia em larga escala. Integrante do Conselho Estratégico do Programa Nacional de Bioinsumos, ligado ao Ministério da Agricultura, Alessandro Cruvinel resumiu a evolução do setor no Brasil e no mundo. “Analisando só o controle biológico em 2020, tem uma estimativa de que já houve uma movimentação de US$ 5 bilhões no mercado global e de que pode chegar a US$ 10 bilhões em 2025. No Brasil, isso é ainda mais relevante. Há dados que apontam crescimento de 55% entre 2018 e 2019 e de 28% entre 2019 e 2020. A participação de bioinsumos no total de defensivos saiu de 1,5% em 2017 e passou para 2,6%”.

Conforme a Agência Câmara, o Conselho Estratégico e o Programa Nacional de Bioinsumos foram criados em maio por decreto (10.375/20) do governo federal a fim de ampliar e fortalecer o controle biológico de pragas. O Ministério da Agricultura prevê aumento na base de agricultores que utilizam bioinsumos. Segundo Cruvinel, uma pesquisa aponta que 90% dos produtores que já empregaram a técnica pretendem mantê-la.

Mas, para isso, é preciso superar alguns “gargalos”. Especialista no tema há mais de 30 anos, a pesquisadora de recursos genéticos e biotecnologia da Embrapa Rose Monnerat defende a imediata simplificação do registro de novos bioinsumos nos três órgãos responsáveis por esse processo: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).  “Quando uma empresa vai registrar o seu produto, ela primeiramente deve ter uma autorização de funcionamento, que varia de estado para estado. Muitas delas, depois de estarem prontas, levam mais de um ano para ter essa autorização de funcionamento. Depois que a empresa está autorizada para funcionar, são mais ou menos dois anos para ter o registro, que tem um custo bastante elevado”, explicou.

Segundo Monnerat, a Embrapa conta com mais de 20 mil cepas de bactérias, fungos e vírus para controle biológico. O órgão também elaborou protocolos e cursos de capacitação com foco no rigor de utilização dos bioinsumos a fim de não desequilibrar os biomas nem permitir a manipulação de microrganismos perigosos por parte do agricultor. Atualmente, o país conta com cerca de 300 bioinsumos registrados.

Para mais informações acesse: https://www.camara.leg.br/noticias/700058-producao-de-bioinsumos-cresce-mas-ainda-enfrenta-gargalos-segundo-especialistas/

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