Agricultura e Alimentação Animal

Pesquisas analisam desafios agrícolas, alimentares e ambientais de América Latina e Caribe

Trata-se de uma coleção de 33 documentos elaborados por mais de 90 especialistas, que analisaram minuciosamente os principais desafios da região

Como será a América Latina e o Caribe com dois graus a mais de temperatura? Quais são os novos padrões alimentares na região? Qual é a situação atual das mulheres e dos povos indígenas? Quais são as tendências de migração, recursos naturais e desenvolvimento territorial? Como a agricultura da região deve mudar para atender à demanda global por alimentos?

Essas muitas outras perguntas são abordadas pelos autores da Série 2030 Alimentos, Agricultura e Desenvolvimento Rural na América Latina e no Caribe, apresentada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Instituto do Instituto de Estudos do Peru (IEP).

Trata-se de uma coleção de 33 documentos elaborados por mais de 90 especialistas, que analisaram minuciosamente os principais desafios da região e propuseram formas inovadoras de enfrentá-los.

“Pela primeira vez na História, a maior parte das inovações que afetam o mundo rural está sendo feita por atores que não estão no mundo rural e que não têm uma relação direta com ele. Estamos em um novo cenário completamente diferente de transformações tecnológicas radicais”, explicou Julio Berdegué, representante regional da FAO, durante a apresentação da série 2030.

Segundo Berdegué, um dos documentos da série destaca que 4 mil startups relacionadas ao setor agrícola são inauguradas todos os dias na China. “Como será o futuro da agricultura em um mundo dessa natureza? É hora de repensar todas as questões relacionadas ao mundo rural e à alimentação”, afirmou.

Desenvolvimento rural é chave para futuro da região

Um dos principais aspectos do mundo rural, destacado por vários autores, é a enorme riqueza das áreas rurais: de acordo com o documento “Estado e Perspectivas dos Recursos Naturais e Ecossistemas”, a região possui capital natural (terra, florestas) e recursos não renováveis ​​(petróleo, gás e minerais) que contribuem com 17% do crescimento de sua riqueza. É a segunda região global com a maior contribuição do capital natural para sua riqueza.

Noventa por cento do território da América Latina e do Caribe podem ser considerados rurais, explica o documento “Desenvolvimento Rural Sustentável”, fato impressionante que destaca imediatamente sua importância. “O setor agrícola é o principal setor exportador de bens da região”, explicou Martín Piñeiro, diretor da Comissão de Assuntos Agrícolas do Conselho Argentino de Relações Internacionais.

Trabalhar com esses territórios é fundamental porque, das 169 metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 78% têm o mundo rural como cenário, pelo menos parcialmente, e uma em cada cinco metas é exclusiva ou fundamentalmente rural, conforme explicado no documento de resumo da série “Transformação Rural: Pensando o Futuro da América Latina e do Caribe”.

“O rural na América Latina e no Caribe é de importância planetária. Alimentamos uma parte importante do planeta. O mundo rural não é apenas agricultura, mineração e florestas, mas é essencial enfrentar as mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade”, explicou Carolina Trivelli, principal pesquisadora do IEP.

Recursos naturais e mudanças climáticas

A região possui a maior reserva de solos aráveis ​​do mundo (576 milhões de hectares, equivalente a 30% do total mundial); 30% das reservas de água renovável do planeta; 25% das florestas; 46% das florestas tropicais; e 30% da biodiversidade mundial, explicou o documento “Inovação, Agregação de Valor e Diferenciação”, que analisou as estratégias para o setor agroalimentar.

Mas todos esses recursos devem ser utilizados e tratados à luz das mudanças climáticas. Segundo a pesquisa “Situação Rural na América Latina e no Caribe”, com 2 graus de aquecimento, projeta-se que todos os países da região excedam dois graus Celsius do aumento médio da temperatura por volta de 2050.

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