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O que é e como foi descoberto o DNA?

O descobrimento e elucidação da função da molécula de DNA (Ácido Desoxirribonucleico) revolucionou diversas ciências e o nosso entendimento do que faz cada ser vivo ser como é.

A história do DNA começa já quando Charles Darwin publica seu livro “A Origem das Espécies”, em 1859, em que, apesar de ainda não fundamentar a existência de uma molécula de código genético, defendeu a teoria da evolução e o quanto cada organismo era capaz de se desenvolver pela adaptação ao seu ambiente. Essa adaptação foi ainda mais reforçada pelo pai da genética, Gregor Mendel, em 1866, quando comprovou a existência de características “dominantes” e “recessivas” em seres vivos, que eram passadas de geração em geração e que também dependiam da adaptabilidade desses seres com o ambiente. Porém, somente em meados de 1900 que os estudos de Mendel foram reconhecidos, aclamados (16 anos após sua morte!) e ligados à teoria de Darwin.

Essas características adaptáveis foram chamadas de “genes”, e começaram a ser relacionadas com o que se suspeitava, na época, de ser uma molécula com uma função de “transformação”, segundo Oswald Avery em 1944, dentro da célula. Essa molécula foi enfim descoberta como a conhecemos hoje pelos trabalhos de James Watson e Francis Crick, em 1952, como o uma molécula de estrutura de dupla hélice chamada de ácido desoxirribonucleico, ou DNA.

O DNA carrega toda a informação genética de um ser vivo, ou seja, todas as informações necessárias para que o funcionamento desse organismo seja adequado a sua sobrevivência e que ele tenha as características que o definem. Todas as células de um mesmo organismo possuem a mesma sequência de DNA, compactado dentro do núcleo.

A partir desses novos conhecimentos, foi possível que vários pesquisadores desmembrassem ainda mais o quanto o DNA influencia no nosso desenvolvimento e de outros organismos. Foram desenvolvidas novas tecnologias para sequenciar, ou seja, identificar sequências específicas de informações dentro do DNA e com isso identificar como determinadas doenças e síndromes existiam. O projeto mais ousado, talvez, tenha começado em 1990, quando o chamado “Projeto Genoma Humano” começou, para mapear toda a sequências de genes presentes no DNA dos seres humanos e o que cada sequência significava em nosso organismo.

O Projeto Genoma Humano só foi finalizado em 2003, quando o grupo de cientistas responsável identificou as principais funções de 99% de todo o código genético que compartilhamos, o que por si só foi um feito impressionante, levando em conta que 200 anos antes nem se sabia que tínhamos uma molécula responsável por todas as funções e características do nosso organismo.

Com essas novas informações, as tecnologias voltadas a aplicações com o DNA só cresceram, e ainda crescem. Como por exemplo, somente em 2013, cinco anos atrás, foi possível encontrar diferenças sutis nos códigos genéticos de gêmeos, que por muito tempo eram vistos como dois indivíduos com o mesmo DNA.

Hoje, o DNA é a peça chave nos mais variados processos, como em terapias de doenças, em investigações policiais e na fabricação de medicamentos, por exemplo. E a tendência é que as aplicações com essa molécula tão pequena e tão importante ficam cada vez mais em evidência, principalmente com novas ferramentas como CRISPR inovando o seu uso.

Essa é a história por trás da molécula que nos revela nossa identidade e nossa singularidade no mundo. Afinal, por mais que o DNA humano tenha os mesmos padrões, cada indivíduo tem sequências e peculiaridades diferentes, que fazem seu DNA ser único. O que achou da trajetória necessária para encontrar onde estava o “manual das células”? Conte-nos na área de comentários!

Esse post faz parte da coluna “Biologia para um Mundo Melhor”, que mostra como a biologia e a biotecnologia estão presentes no desenvolvimento sustentável do nosso planeta. Fique ligado, você encontrará mais posts como esse com a hashtag #biologiamundomelhor. Compartilhe com seus amigos essa iniciativa!

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