Sustentabilidade

O mundo está longe de frear as mudanças climáticas, segundo OMM

Relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostra que o mundo está seguindo a direção contrária para frear mudanças climáticas

O mundo está seguindo a direção contrária para frear mudanças climáticas após outro ano de temperaturas quase recordes, disse o chefe da agência meteorológica da ONU. “Não estamos no caminho para cumprir metas de mudanças climáticas e conter aumentos de temperatura”, disse o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas.

“Concentrações de gases causadores do efeito estufa estão novamente em níveis recordes e, se a tendência atual continuar, podemos ver aumentos de 3 a 5 graus Celsius até o fim do século. Se explorarmos todos os recursos conhecidos de combustíveis fósseis, o aumento de temperatura será consideravelmente maior”, afirmou.

Dados de cinco órgãos que monitoram de forma independente as temperaturas globais e que formaram a base do relatório anual mais recente da OMM indicam que este ano deve ser o quarto mais quente já registrado.

Segundo o monitoramento, os 20 anos mais quentes já registrados ocorreram nos últimos 22 anos, sendo os quatro últimos os mais quentes de todos. “Vale repetir que somos a primeira geração a entender completamente as mudanças climáticas e a última geração capaz de fazer algo sobre isso”, disse Taalas.

Os comentários do secretário-geral da OMM apoiam as descobertas de outro órgão global de autoridade, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Em seu relatório sobre aquecimento global de 1,5°C, o órgão concluiu que a temperatura média global na década anterior a 2015 era 0,86°C acima dos níveis pré-industriais. Entre 2014 e 2018, no entanto, esta média cresceu para 1,04 °C acima da base pré-industrial, disseram especialistas do IPCC. “É mais do que apenas números”, disse a vice-secretária-geral da OMM, Elena Manaenkova, destacando que “cada fração de um grau de aquecimento faz uma diferença à saúde humana e ao acesso a água fresca e comida”.

A extinção de muitos animais e plantas também está ligada ao aquecimento global, insistiu a autoridade da OMM, assim como a sobrevivência de recifes de corais e da vida marinha. “Isto faz uma diferença à produtividade econômica, segurança alimentar e para a resiliência de nossas infraestruturas e cidades”, disse Manaenkova. “Isto faz uma diferença à velocidade de derretimento de geleiras e fornecimento de água e ao futuro de ilhas e comunidades costeiras. Cada porção extra importa”.

O relatório da OMM é parte das evidências científicas que foram usadas nas negociações sobre mudanças climáticas, na COP24, em Katowice, na Polônia.

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