Sustentabilidade

O combate às bactérias resistentes passa pelo envolvimento do setor público e privado

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Uma das iniciativas que demonstram como o setor privado e a comunidade científica podem trabalhar juntos no desenvolvimento de novas soluções é o HelloScience, criado pela Novozymes, buscando a colaboração global no combate à bactéria E. coli

Neste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou, pela primeira vez, uma lista de bactérias que são resistentes a antibióticos e que, segundo a agência, devem ser prioridade nas pesquisas por novos remédios. Esse documento é, também, um apelo para que governos implementem políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de medicamentos, tanto por meio de agências financiadas pelo setor público, quanto pelo privado.

A preocupação da OMS está diretamente ligada a dois Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o ODS 3, que trata de assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades, e o ODS 9, que é construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

Diante desse cenário, no qual doze famílias de agentes patogênicos estão incluídos, ou seja, bactérias que não são afetadas por diferentes medicamentos, o trabalho conjunto entre a pesquisa, inovação e desenvolvimento, aliadas a importantes políticas públicas do setor, podem ajudar no combate aos microrganismos resistentes aos múltiplos antibióticos, que são particularmente perigosos em hospitais, casas de repouso e entre os pacientes, cujos cuidados exigem dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos.

Incluídas na primeira das três categorias de urgência definidas pela lista da OMS, essas bactérias incluem os gêneros Acinetobacter, Pseudomonas e várias espécies do gênero Enterobacteriaceae, como as Klebsiella, E. coli, Serratia e Proteus.

Esta lista é uma nova ferramenta para garantir que a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) responda às necessidades urgentes de saúde pública”, explica a subdiretora-geral da OMS para Sistemas de Saúde e Inovação, Marie-Paule Kieny. “A resistência aos antibióticos está crescendo, e estamos ficando sem opções de tratamento. Se deixarmos as forças do mercado sozinhas, os novos antibióticos de que precisamos mais urgentemente não serão desenvolvidos a tempo”, acrescenta.

O segundo e terceiro níveis da lista reúnem outras bactérias que têm se tornado cada vez mais resistentes aos fármacos e provocam doenças comuns, como gonorreia ou intoxicação alimentar causada por salmonela.

Combate à E. coli

Uma das iniciativas que demonstram como o setor privado e a comunidade científica podem trabalhar juntos no desenvolvimento de novas soluções é o HelloScience, criada pela Novozymes, buscando a colaboração global. Essa é uma comunidade de inovação aberta, online, na qual empreendedores, empresas, pesquisadores e comunidade podem atuar juntos para desenvolver soluções para os principais desafios da atualidade. O primeiro tema apresentado também neste ano está relacionado à escassez da água e a medidas de detecção da E. coli mais rapidamente.

A UNICEF entende que é urgente o desenvolvimento de um dispositivo de detecção do E. Coli, pois cerca de 18 mil crianças morrem diariamente devido à diarreia e outras doenças relacionadas à água e alimentos contaminados. Os testes utilizados atualmente levam até 24 horas para fornecer um resultado. A entidade procura soluções para testes mais ágeis, que possam ser utilizados o local da água potável e, após pesquisas iniciais de tecnologia, a Novozymes acredita que, juntos, empreendedores, empresas, pesquisadores e comunidade podem ajudar a suprir essa necessidade para o atendimento às crianças.

Os interessados no tema da água podem sugerir ideias diretamente no HelloScience.io, incluindo as startups e pequenas empresas, estudantes, especialistas no tema, ONGs, investidores, pesquisadores universitários e comunidades, entre outros. Ao publicar ideias e soluções para um desafio, os participantes obtêm acesso a uma comunidade de pesquisadores e inovadores que os ajudarão a elevar os desafios e a identificar sinergias com as propostas apresentadas por outros colaboradores.

Para saber mais, acesse HelloScience.io.

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