11-10-2017

Nós e os Microrganismos

Por Roberto Nobuyuki Maeda

A biotecnologia é muito ampla e suas aplicações nas mais diversas áreas tem se expandido cada vez mais. Vemos a biotecnologia presente nos nossos dias, nos alimentos e bebidas, combustíveis, medicina, têxtil, fármacos, alimentação e saúde animal etc. Esta grande ciência nos fascina e todos os dias nos surpreende. A cada dia surgem novas possibilidades de aplicação, uma nova porta se abre para um novo campo de aplicação.

Recentemente foi divulgado na Proceedings of the National Academy of Sciences, resultados de uma pesquisa realizada pelo grupo do professor Stephen Quake, do Department of Bioengineering, da Stanford University, sugerindo microrganismos vivendo no nosso corpo. Até aí nada de novo. Porém, foi observado que 99% dos fragmentos de DNA que circulam em nosso sangue nunca foram vistos antes. Em outras palavras, microrganismos vivendo no nosso corpo são muito mais vastos do que já conhecíamos.

Com essa massiva circulação de fragmentos de DNA no nosso sangue, os pesquisadores identificaram centenas de novas bactérias e vírus que representam membros não identificados do microbioma humano. Estudos anteriores visavam nichos específicos, como fezes, pele ou cavidade bucal, enquanto a abordagem do grupo de usar o sangue, efetivamente possibilita a amostragem de todo o corpo e revela a colonização de nichos que foram previamente ignoradas. Dessa forma os autores descobriram, assim, que o corpo humano contém uma grande e inesperada diversidade de micróbios, muitos dos quais têm relações altamente divergentes com a árvore filogenética conhecida.

Isso nos faz pensar em como podemos explorar esses conhecimentos. Esses novos microrganismos têm um potencial a ser explorado? Talvez na saúde. Talvez tenha alguma função em nosso organismo.

Coincidência ou não, um dia antes da publicação acima, o professor Jonathan Scheiman da Harvard Medical School, apresentou seus resultados de uma pesquisa na National Meeting & Exposition of the American Chemical Society sobre microbiota de atletas de elite. O grupo estuda o microbioma de atletas para identificar e isolar novas bactérias probióticas para aplicações em desempenho esportivo e recuperação atlética.

O grupo do professor Scheiman coletou fezes de maratonistas e comparou com não atletas. Eles observaram que bactérias intestinais podem influenciar a recuperação, fadiga, metabolismo, energia, inflamação e funções cerebrais. Em maratonistas, eles encontraram bactérias altamente eficientes em remoção de ácido lático, uma das substancias responsáveis pela fadiga. Em outro round dos estudos os cientistas observaram diferentes tipos de bactérias entre ultramaratonistas e remadores. Assim, observaram que diferentes modalidades esportivas induzem a produção de diferentes microrganismos, dependendo da necessidade ou função requerida. Essas conclusões foram a partir de dois anos de estudos e a próxima etapa será a ampliação para outras modalidades esportivas.

Com estes estudos, segundo o professor, eles estão “extraindo” a biologia de pessoas mais aptas e saudáveis do mundo e depois usar estas informações para ajudá-las e também a outras pessoas. O objetivo é expandir os grupos de atletas, de diferentes modalidades, esportivas para compor um grande banco de microrganismos para novos candidatos probióticos.

Será esta uma nova geração de probióticos? E os 99% dos fragmentos de DNA de microrganismos desconhecidos? Para que servem estes microrganismos?

Roberto Nobuyuki Maeda é Cientista da Novozymes e trabalha na unidade de Araucária – Paraná.

 

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