Sustentabilidade

No Quênia, mercado de carbono impulsiona conservação de manguezais

A iniciativa propõe a comercialização de créditos de carbono associados à conservação e à restauração de manguezais.

O Programa da ONU para o Meio Ambiente, o Serviço Florestal do Quênia, o Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do país africano e instituições parceiras lançaram (junho de 2019), no litoral queniano, o projeto Florestas Azuis, implementado no vilarejo de Vanga. A iniciativa propõe a comercialização de créditos de carbono associados à conservação e à restauração de manguezais. “Todo esse vilarejo e outros vilarejos próximos dependem da pesca. E a floresta de mangue é, de fato, a área de procriação para os peixes”, afirma o chefe de Vanga, Kama Abdallah.

A proposta é parte da iniciativa apoiada pela ONU Meio Ambiente por meio do projeto Florestas Azuis, do Fundo Global para o Meio Ambiente, e por meio do projeto de incentivos para a conservação de recifes de corais, da própria agência das Nações Unidas.

De acordo com o plano de gestão, os mangues no condado de Kwale serão coadministrados pelo Serviço Florestal do Quênia e pela Associação Florestal da comunidade. A ONU Meio Ambiente ajudou a desenvolver o plano. Já o Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do Quênia deu apoio técnico à comunidade. Inclui também a venda de créditos de carbono no mercado voluntário de carbono, que é verificado pela padronização do comércio de carbono Plan Vivo. A estratégia foi inspirada no sucesso de um projeto similar em Gazi, uma comunidade localizada poucos quilômetros ao norte.

Em Gazi, os créditos de carbono associados aos mangues são comercializados desde 2012. “Globalmente, esse é um dos primeiros projetos que está comercializando créditos de carbono (oriundos) da conservação e da restauração de mangues”, afirma o especialista em manguezais da ONU Meio Ambiente, Gabriel Grimsditch. “O projeto vai conservar e restaurar mais de 4 mil hectares de mangues no condado de Kwale e apoiar os meios de subsistência de mais de 8 mil pessoas em comunidades pesqueiras na área, por meio de iniciativas de desenvolvimento da comunidade”.

Lilian Mwihaki, do Instituto de Pesquisa Marinha e de Pesca do Quênia, ressalta os benefícios do comércio de carbono. “Com a venda dos créditos de carbono, eles terão fundos que poderão injetar na comunidade. A comunidade de Gazi conseguiu comprar livros para crianças em idade escolar. Também conseguiram comprar alguns equipamentos para o hospital deles. Conseguiram (até) levar água para a comunidade”.

Os mangues são ecossistemas raros e férteis, encontrados na fronteira entre a terra e o mar. Os manguezais sustentam uma rica biodiversidade e oferecem um valioso berçário para peixes e crustáceos. Os mangues também atuam como uma forma de defesa natural da costa contra tempestades repentinas, tsunamis, o aumento do nível do mar e a erosão. Seus solos são tanques de carbono altamente eficazes, absorvendo vastas quantidades do carbono que contribui para o aquecimento global.

Apesar de sua importância, os mangues estão desaparecendo a uma velocidade de três a cinco vezes mais alta do que as floretas no geral. O problema tem impactos ecológicos e socioeconômicos sérios. Os números atuais indicam que a cobertura de mangues no mundo diminuiu pela metade ao longo dos últimos 40 anos.

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