Sustentabilidade

Nevoeiro leva micróbios e água para o deserto

O nevoeiro, que também encanta os pesquisadores de todo o mundo, é o resultado de uma corrente fria, oceânica, que corre ao longo da costa e condessa a água no ar acima dela, chegando ao interior para cobrir as intensas dunas do deserto, de branco

Uma matéria publicada pela jornalista Sarah Zhang, na coluna Science, da The Atlantic, mostra como os micróbios, no deserto da Namibe, dependem do nevoeiro para sobreviver. O que é um dos fatos mais curiosos, já que o local também é um dos lugares mais secos da Terra.

Segundo a publicação, o nevoeiro que também encanta os pesquisadores de todo o mundo é o resultado de uma corrente fria, oceânica, que corre ao longo da costa e condensa a água no ar acima dela, chegando ao interior para cobrir as intensas dunas do deserto, de branco.

Os animais que moram no deserto se adaptaram a ela, como o escaravelho escuro, que sobe até o topo das dunas de areia e fica de cabeça para baixo, deixando a névoa se condensar em suas costas e pingar na sua boca. É assim que ele mata a sua sede e se hidrata. Outro besouro aproveita a névoa para construir trincheiras que capturam a condensação de neblina. Por fim, os micróbios também dependem da umidade do nevoeiro para sobreviver. Sarah Evans, uma microbiologista da Universidade Estadual de Michigan, estava no Namib estudando alguns desses micróbios quando surgiu a curiosidade sobre o nevoeiro: e se ele trouxesse água e nutrientes do oceano para o deserto, poderia também trazer micróbios?

Assim, a pesquisadora decidiu coletar um pouco de neblina. Sua equipe esterilizou uma grande folha de metal e ajustou-a em um ângulo de 45 graus, de modo que a névoa pudesse se condensar na superfície e pingar em um recipiente. Eles levaram essa água de volta para Michigan e sequenciaram o DNA de micróbios dentro dela. Eles também estabelecem placas de petri para pegar e cultivar micróbios flutuando no nevoeiro.

Quando Evans mais tarde mencionou seu experimento para Kathleen Weathers, uma pesquisadora de neblina de longa data, ela disse a Evans que tinha que conhecer Eli Dueker, uma  microbiologista do Bard College, que teve a mesma ideia anos atrás, enquanto passava um tempo em uma ilha na costa do Maine. Nos dias de nevoeiro, Dueker montava amostras de bioaerossol, aparelhos que sugam o ar, num pequeno espeto que se projetava para o oceano.

Evans e Dueker decidiram comparar as notas. O arenoso deserto do Namibe e a costa rochosa do Maine. Por um lado, o nevoeiro em ambos os locais estava de fato trazendo micróbios que normalmente vivem no oceano para os locais. O nevoeiro em ambos também apresentava uma grande proporção de micróbios no solo.

A descoberta curiosa das pesquisadoras você confere aqui, em inglês.

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *