Sustentabilidade

Medellín, na Colômbia, cria corredores verdes para combater o calor

Os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C

A segunda maior cidade da Colômbia, Medellín, tem adotado estratégias inspiradas na natureza para regular as altas temperaturas do verão. As chamadas “soluções naturais” são, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, “ações que protegem, gerenciam de forma sustentável e restauraram ecossistemas naturais ou modificados, abordando desafios sociais de forma eficaz e adaptável, proporcionando simultaneamente bem-estar humano e benefícios para a biodiversidade”.

Medellín, assim como outras cidades, enfrenta o aumento das temperaturas e o impacto das ilhas de calor urbanas. Concreto e asfalto absorvem a energia do sol, irradiando calor e mantendo a cidade muito quente – mesmo depois que o sol se põe.

Para lidar com o aquecimento, as autoridades da cidade colombiana transformaram 18 ruas e 12 hidrovias em paraísos verdes. O projeto Green Corridors (Corredores Verdes, em tradução livre para o português) promoveu a arborização dessas rotas, o que permitiu reduzir o acúmulo de calor na infraestrutura urbana.

A iniciativa venceu este ano o Prêmio Ashden de Refrigeração Baseada na Natureza, que é apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a iniciativa Sustainable Energy for All. “Quando tomamos a decisão de plantar os 30 corredores, nós nos concentramos nas áreas que não tinham mais espaços verdes”, conta o prefeito Federico Gutiérrez. “Com essa intervenção, conseguimos reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença”, acrescenta o chefe do Executivo municipal.

Os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C. Na Itália, a cidade de Milão — que sofreu cortes de energia devido à demanda por ar condicionado durante a onda de calor do verão — planeja plantar 3 milhões de árvores até 2050. O objetivo é combater as ilhas de calor e aumentar a qualidade do ar. Outra solução são os telhados verdes. Existem indícios de que, em cidades como Atenas, eles podem diminuir em até 66% a demanda por resfriamento artificial nos edifícios.

Estima-se que a emissão de gases de efeito estufa geradas pelo setor de refrigeração aumentem 90% até 2050 — na comparação com dados referentes a 2017. Daqui a cerca de 30 anos, a refrigeração dos ambientes vai consumir o mesmo volume de eletricidade já consumido atualmente por todos os setores e atividades humanas na China e na Índia. “À medida que as temperaturas globais aumentam, as dificuldades para manter os ambientes frescos estão se tornando um problema de saúde urgente, com as cidades particularmente em risco”, alerta Dan Hamza-Goodacre, diretor-executivo do Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração.

As soluções baseadas na natureza são uma das abordagens promovidas pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, que reúne governos, empresas, sociedade civil e organizações internacionais, como a ONU. A coalizão quer que as pessoas evitem o chamado “resfriamento ativo” — quando é necessário recorrer a técnicas e aparelhos pouco sustentáveis para diminuir o calor. Para tanto, a rede de instituições aposta na construção civil inteligente e no planejamento urbano. Um dos objetivos do programa é impulsionar serviços de refrigeração à base de energia renovável.

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