Sustentabilidade

Mais crianças morrem por água não tratada do que por violência no mundo, diz UNICEF

As crianças têm quase três vezes mais chances de morrer de doenças diarreicas causadas pela falta de água potável, saneamento e higiene do que por violência direta

Crianças menores de 15 anos que vivem em países afetados por conflitos prolongados têm, em média, quase três vezes mais chances de morrer de doenças diarreicas causadas pela falta de água potável, saneamento e higiene do que por violência direta, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em novo relatório divulgado no dia 22 de março.

“As chances já estão contra as crianças vivendo em conflitos prolongados – com muitas incapazes de chegar a uma fonte de água segura”, disse a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “A realidade é que há mais crianças que morrem por falta de acesso a água potável do que por balas”.

Sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e eficazes, as crianças correm risco de desnutrição e doenças evitáveis, incluindo diarreia, febre tifoide, cólera e poliomielite.

As meninas são particularmente afetadas: elas são vulneráveis à violência sexual quando vão buscar água ou se aventuram a usar latrinas. Elas lidam com afrontas à sua dignidade enquanto se banham e administram a higiene menstrual. E faltam às aulas durante o período menstrual se suas escolas não têm instalações adequadas de água e saneamento.

O UNICEF trabalha em países em conflito para fornecer água potável segura e serviços de saneamento adequados por meio da melhoria e reparação de sistemas de água, transporte de água, instalação de latrinas e promoção de práticas de higiene.

A agência da ONU está pedindo a governos e parceiros que interrompam ataques a infraestruturas de água e saneamento e a funcionários desses setores; vinculem respostas humanitárias vitais ao desenvolvimento de sistemas sustentáveis de água e saneamento para todos; e reforcem a capacidade dos governos e das agências de ajuda de fornecer consistentemente serviços de água e saneamento de alta qualidade em emergências.

O relatório calculou as taxas de mortalidade em 16 países com conflitos prolongados: Afeganistão, Burkina Faso, Camarões, Chade, Etiópia, Iêmen, Iraque, Líbia, Mali, Myanmar, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Síria, Somália, Sudão e Sudão do Sul.

As estimativas foram derivadas de dados de mortalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para “violência coletiva” e “mortes diarreicas atribuíveis à falta de água, saneamento e higiene” entre 2014 e 2016.

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