Sustentabilidade

Jovem angolana ensina formas de preservar o meio ambiente

A jovem angolana de 29 anos ganhou o prêmio da ONU Meio Ambiente por seus esforços na conservação de reservas preciosas de água e de biodiversidade em seu país.

A vencedora do Prêmio ‘Jovens Campeões da Terra 2019 – região África’, Adjany Costa está salvando os últimos espaços selvagens do planeta. A jovem angolana de 29 anos ganhou o prêmio da ONU Meio Ambiente por seus esforços na conservação de reservas preciosas de água e de biodiversidade em seu país.

A solução de Adjany foi abordar com as comunidades Luchaze — que vivem nos planaltos angolanos e em meio à floresta de Miombo — formas de preservar o meio ambiente e ao mesmo tempo garantir os meios de vida.

Quando a etno-conservacionista era mais jovem, a praia era o único lugar natural seguro para ir. A guerra civil, que afligiu a Angola por três décadas (1975-2002), tornou a exploração de novos espaços impossível. “Não podíamos ir muito longe por causa dos combates e das minas terrestres”, lembra Adjany. “Mas todos os finais de semana, meu pai me levava à praia, que se tornou meu lugar preferido. Isso despertou em mim um grande respeito pela natureza”.

Desde então, muita coisa mudou. Após o fim da guerra, e à medida que as comunidades regressaram a seus lares, Costa se sentiu na obrigação de explorar a selva.

Surgiu então a oportunidade de se unir à exploração sem precedentes da revista norte-americana National Geographic no Delta do Okavango, em Angola. Uma jornada da qual ela nunca retornaria totalmente.

O que encontrou na remota comunidade de Luchaze, que vive nos planaltos angolanos e nas florestas de Miombo, nas cabeceiras de um dos maiores sistemas fluviais da África (Okavango), foi um mundo curando suas feridas. “O rio Cuito, onde vive a comunidade Luchaze, é fundamental para a manutenção dos níveis de água do Okavango em três países”, explica. “Estudando biologia, o que mais me impressionou foi a forma como toda a natureza está interligada”.

A Bacia do Rio Okavango é um ecossistema vital e parte da maior zona úmida de água doce do sul da África. Mais de um milhão de pessoas dependem da bacia compartilhada por Angola, Namíbia e Botsuana.

Seu delta, no Botsuana, abriga uma abundante e icônica vida selvagem, incluindo uma das maiores populações de elefantes do mundo. O rio Cuito é um afluente do Delta do Okavango e manter os níveis de água é fundamental para a manutenção de todo o ecossistema. “Dependemos dos ecossistemas para sobreviver e comunidades rurais vulneráveis mais ainda. Devemos estar conscientes de como nosso modo de vida impacta o meio ambiente e como dependemos dele para sobreviver”, apontou Costa. Segundo ela, trabalhar com os povos e comunidades tradicionais para a conservação é essencial para garantir nosso futuro comum.

“Percebi, trabalhando com a comunidade, que se eles ajudarem a proteger as áreas florestais e os rios, e nutrirem sua vida selvagem, isso é fundamental para a manutenção de todo o ecossistema”, contou.

Os efeitos da guerra civil angolana, no entanto, ainda são muito presentes, dificultando muitas vezes o trabalho com as comunidades locais. “Me chamou a atenção que, por causa da guerra, essas comunidades perderam a conexão com seu entorno”.

“Algumas crianças nunca viram um elefante, um grande ícone da região. A comunidade só está começando a se sentir em casa novamente agora e as gerações mais jovens estão explorando a paisagem e entendendo como ela funciona e se encaixa nesse momento”, refletiu.

O trabalho de Adjany Costa envolve trabalhar com a comunidade por um período e estabelecer confiança. Dessa forma, pode capacitá-los a retomar o controle sobre seus recursos. “Só quando eles acreditarem que a terra é deles, eles realmente irão protegê-la”, afirmou.

Um relatório recente da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Serviços de Biodiversidade e Ecossistemas adverte que mais de um milhão de espécies está em risco, o que ameaça os últimos espaços selvagens e comunidades de povos indígenas que dependam delas. Em média, 200 espécies são extintas todos os dias. Adjany está fazendo a diferença pelo mundo. E você? O que você faz para ajudar a melhorar o planeta?

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