Bioenergia

Identificada nova enzima que pode transformar biomassa em bioprodutos

Com participação de pesquisadores da Unicamp, grupo internacional identificou uma enzima capaz de transformar biomassa em bioprodutos

Informação divulgada pela Agência Fapesp e pela Unicamp pode animar ainda mais o mercado de biocombustíveis e biomateriais. Um grupo de pesquisa internacional, em parceria com a universidade brasileira, identificou uma nova enzima e sua forma de ação, que pode ajudar muito no processo de conversão da biomassa lignocelulósica, aquela que vem de fontes renováveis como a cana-de-açúcar e do milho, em produtos como biocombustíveis, bioplásticos e biomateriais.

O resultado da pesquisa foi publicado pela revista Nature Communication. Pela Unicamp, participaram o pós-doutorando em Química Rodrigo Leandro Silveira e seu supervisor, o professor Munir Skaf, que também responde pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade. Silveira explica que embora enzimas da mesma família, conhecidas como citocromos P450, ocorram comumente na natureza, inclusive no organismo humano, respondendo por boa parte do metabolismo de fármacos no fígado, não se conhecia até o momento um representante envolvido em processos de conversão de lignina.

Os pesquisadores batizaram essa enzima de GcoA e ela tem atributos especialíssimos. “Diferente de outras enzimas, ela é uma entidade extremamente versátil, com capacidade de atuar em diferentes substratos”, aponta Silveira. Dito de modo simplificado, uma determinada classe de bactérias utiliza a enzima para degradar a lignina e utilizá-la como fonte de energia, ou seja, como alimento. “Trata-se de um processo bastante sofisticado porque a lignina apresenta uma composição química muito heterogênea. Do ponto de vista molecular, ela é composta por muitas unidades diferentes, que por sua vez apresentam ligações químicas igualmente diversas, as quais devem ser cuidadosamente desfeitas durantes as reações químicas do metabolismo bacteriano de lignina”, diz Silveira.

Além da Unicamp, participaram da pesquisa as seguintes instituições: Universidade de Porsmouth (Reino Unido); Laboratório Nacional de Energias Renováveis (NREL, EUA), onde Silveira fez estágio de pós-doutorado; Universidade Estadual de Montana (EUA), Universidade de Georgia (EUA) e Universidade da Califórnia, em Los Angeles (EUA).

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