Sustentabilidade

FAO pede que produtores de alimentos ofereçam comida mais nutritiva para consumidores

A produção de alimentos deve garantir não só mais quantidade de comida para alimentar todas as pessoas, como também mais qualidade no que chega à mesa dos consumidores.

O chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu que a produção de alimentos garanta não só mais quantidade de comida para alimentar todas as pessoas, como também mais qualidade no que chega à mesa dos consumidores. O dirigente da agência da ONU alertou para o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio — mas pobres em outros nutrientes.

“Concentrar-se apenas no crescimento da produção de alimentos não é suficiente. É igualmente importante produzir alimentos saudáveis ​​e nutritivos visando à preservação do meio ambiente”, defendeu Graziano durante a Assembleia Geral da Caritas Internationalis, realizada em Roma, na Itália.

“Mais de 2 bilhões de pessoas (no mundo) estão acima do peso, das quais 670 milhões de pessoas são obesas”, lembrou o chefe da FAO. O especialista alertou ainda que o número de pessoas obesas ultrapassaria em breve os 821 milhões de indivíduos que passam fome. Essa virada já foi registrada na América Latina e no Caribe, desde 2015.

Graziano apontou que, embora a fome esteja restrita a áreas específicas, especialmente zonas de conflito e regiões afetadas pelas mudanças climáticas, a obesidade está por toda parte. “Estamos testemunhando a globalização da obesidade: oito dos 20 países do mundo com as maiores taxas de aumento da obesidade adulta estão na África, por exemplo”.

O dirigente da agência da ONU ressaltou que a obesidade está associada a muitos problemas crônicos de saúde, como diabetes, doenças cardíacas, hipertensão e algumas formas de câncer. O fenômeno gera um gasto de cerca de 2 trilhões de dólares por ano em assistência médica direta e também em perdas de produtividade.

De acordo com a agência da ONU, para melhorar as dietas das pessoas, os agricultores locais precisam ser encorajados a usar suas terras para plantar uma variedade de culturas ricas em nutrientes, incluindo frutas e verduras. Isso pode ser feito por meio de políticas e legislações sobre compras institucionais. Com o uso de estruturas governamentais para a aquisição de alimentos da agricultura familiar, é possível alavancar a produção de comida mais saudável.

Graziano também alertou que, desde a adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), em 2015, a fome global só aumentou. Entre os principais motivos, estão os confrontos armados, guerras e os impactos da mudança climática. “Se não conseguirmos a erradicação da pobreza (o ODS 1) e a fome zero (o ODS 2), será impossível cumprir os outros 15 objetivos”, enfatizou o dirigente.

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