Bioenergia

Etanol celulósico: uma alternativa para aumentar a produção de biocombustíveis

O etanol celulósico é derivado de matérias-primas como bagaço e palha de cana-de-açúcar, espiga de milho, palha de trigo,  biomassa lenhosa e outros resíduos orgânicos.

Em setembro de 2016, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou o estudo “Cenários de Oferta de Etanol e Demanda do Ciclo Otto”, a respeito do mercado brasileiro. Combustível do Ciclo Otto é a denominação do que hoje em dia é comercializado de forma ampla para motores em que a mistura de ar/combustível é comprimida e a combustão é gerada pelas velas.

O material aponta que depois de uma época com consideráveis investimentos, o setor sucroenergético foi gravemente impactado pela crise econômica de 2008, fazendo com que dívidas ficassem acumuladas. Com isso, as empresas produtoras de cana-de-açúcar procuraram equilibrar seu orçamento cortando despesas e investimentos. Como consequência, a expansão dos canaviais foi adiada e os tratos culturais, deixados de lado, o que limitou substancialmente a capacidade de crescimento do setor.

Com esse cenário, as previsões são preocupantes para o ano 2020. Estima-se que será o ano em que começará a faltar açúcar e etanol, devido ao aumento do abastecimento da frota de ciclo Otto e do consumo de etanol para outros fins. Com relação ao açúcar, será preciso atender às necessidades de consumo doméstico e também manter a posição do Brasil no mercado internacional. Para atender tamanha demanda, seria preciso praticamente dobrar a produção atual de cana-de-açúcar de 655 milhões de toneladas para 1,2 bilhão em 2020 – o que não é factível. Em lugar disso, diversas ações com vistas a aumentar a produção de biocombustíveis precisam ser coordenadas. Dentre elas, políticas públicas que favoreçam o setor sucroenergético, bem como assegurem a competitividade dos diversos biocombustíveis produzidos no país, dentre os quais o etanol celulósico, uma importante fonte de energia sustentável.

O etanol celulósico é derivado de matérias-primas como bagaço e palha de cana-de-açúcar, espiga de milho, palha de trigo,  biomassa lenhosa e outros resíduos orgânicos. Por serem coprodutos de outras produções agrícolas, são insumos de baixo custo e de suprimento constante, que ao serem utilizados para a produção do etanol, podem ajudar a reduzir consideravelmente as emissões de gases de efeito estufa. No modelo atual, segundo dados da UNICA, estima-se que somando o volume de biocombustível que pode ser obtido a partir da palha e do bagaço de cana ao volume de etanol de 1ª geração, isto é, aquele produzido tradicionalmente a partir da fermentação direta do caldo, ganha-se até 40% em produtividade por tonelada de cana sem que haja necessidade de expandir a área plantada.

No processo de transformação, a biomassa é primeiramente pré-tratada para formar uma espécie de polpa, expondo as fibras de celulose e hemicelulose. Em seguida, passa por um processo enzimático, responsável por disponibilizar os açúcares para a fermentação. Após fermentada, a polpa se transforma em combustível. O etanol celulósico é hoje uma grande aposta para ampliar ainda mais a produção de biocombustível no Brasil.

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