Bioenergia

Estudo mostra que o uso de etanol nos veículos reduz a poluição

Um estudo publicado na revista Nature Communication, apoiado pela agência FAPESP, mostra que as nanopartículas emitidas pelos veículos abastecidos com etanol, em São Paulo, são menos poluentes.

Já conhecemos muitos benefícios do etanol, entre eles, o menor impacto ao meio ambiente. Agora, começamos a compreender ainda mais sua importância quando aliamos os benefícios ao meio ambiente e àqueles que impactam diretamente em nossa saúde. Um estudo publicado na revista Nature Communication, apoiado pela agência FAPESP, mostra que as nanopartículas emitidas pelos veículos que abastecem com etanol, em São Paulo, são menos poluentes.

Para os pesquisadores, o uso do combustível fóssil, como a gasolina, implica uma elevação de 30% na concentração atmosférica de material particulado ultrafino – aquele com diâmetro menor do que 50 nanômetros. “Essas nanopartículas de poluição são tão pequenas que se comportam como moléculas de gás. Ao serem inaladas, conseguem atravessar todas as barreiras de defesa do sistema respiratório e alcançar os alvéolos pulmonares, levando diretamente para o sangue substâncias potencialmente tóxicas, podendo aumentar a incidência de problemas respiratórios e cardiovasculares”, explica o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e coautor do artigo.

Ainda segundo o professor, nos Estados Unidos e na Europa já está se estabelecendo, com base em pesquisas recentes, um consenso de que essas emissões são potencialmente prejudiciais à saúde e precisam ser regulamentadas. Em vários estados norte-americanos, como a Califórnia, já há leis obrigando a mistura de 20% a 30% de etanol na gasolina, o que também ajuda a reduzir a liberação de material particulado ultrafino.

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O trabalho foi desenvolvido durante o pós-doutorado de Joel Ferreira de Brito, sob a supervisão de Artaxo. O modelo usado para analisar os dados foi desenvolvido pelo economista brasileiro Alberto Salvo, professor da Universidade Nacional de Cingapura e primeiro autor do artigo. Colaborou ainda o químico Franz Geiger, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos.

“Adotamos um modelo estatístico sofisticado, desenvolvido originalmente para análises econômicas e pela primeira vez usado na análise da química atmosférica de nanopartículas. A grande vantagem é que essa ferramenta aceita um grande número de variáveis, como presença ou não de chuva, direção do vento, intensidade do tráfego, concentração de ozônio, monóxido de carbono e outros poluentes”, contou Artaxo.

As análises foram feitas antes, durante e após uma forte flutuação no preço do etanol, induzindo a troca do combustível consumido em São Paulo, em 2011. Comprovou-se em uma situação cotidiana real que a opção pelo etanol reduz a emissão de particulado ultrafino. Até então, esse fenômeno só havia sido observado em laboratório.

“Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas para estimular o uso de biocombustíveis, pois deixam claro que a população perde com saúde o dinheiro economizado na bomba quando se opta pela gasolina”, avaliou Artaxo. “O incentivo aos biocombustíveis permite resolver vários problemas de uma vez. Ajuda a combater a mudança climática, reduz danos à saúde e promove avanços na tecnologia automotiva, pois a indústria terá estimulo para desenvolver carros mais econômicos e eficientes movidos a etanol”, disse.

O artigo Reduced ultrafine particle levels in São Paulo’s atmosphere during shifts from gasoline to ethanol use pode ser lido na íntegra clicando aqui.

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