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Entenda a Indústria 4.0 , conceito que é apontado como o futuro da manufatura

Uso de sistemas inteligentes nas fábricas, a Indústria 4.0, vem sendo considerada uma nova revolução industrial capaz de reduzir impactos ambientais e sociais

Dispositivos móveis, Internet das Coisas, nuvem, impressoras 3D, Big Data, carros autônomos, robôs… Um grande número de tecnologias desenvolvidas nos últimos anos vem prometendo revolucionar todas as áreas das nossas vidas. Isso não é diferente com a indústria: desde o início desta década fala-se na chegada de uma quarta revolução industrial (Indústria 4.0), que fez nascer um novo paradigma de manufatura.

Na chamada Indústria 4.0, a fábrica é totalmente digitalizada e integrada. Todo o caminho produtivo, dos fornecedores aos consumidores, passa a contar com sistemas descentralizados e inteligentes, que tomam decisões autônomas, baseadas em dados. Dentre as tecnologias empregadas neste sistema está a Internet das Coisas, que alguns consumidores de novidades já têm em suas residências. Assim como acontece nas “casas inteligentes”, a rede é capaz de conectar máquinas e dispositivos ao longo de toda a cadeia de produção, possibilitando que todos os pontos do processo sejam capazes de interagir para otimizar o funcionamento da fábrica em tempo real. Qualquer necessidade de adaptação do processo produtivo é feita com mais rapidez e facilidade do que aconteceria no modelo verticalizado da indústria atual.

Impactos

Como estes sistemas são capazes de responder a fatores externos – como aumentos de demanda, escassez de recursos e mudanças climáticas –, a indústria 4.0, além de mais eficiente, produtiva e capaz de fabricar produtos personalizados, pode ter um impacto ambiental e social menor. A avaliação é dos professores Tim Stock e Günther Seliger, da Universidade Técnica de Berlim, na 13.ª Conferência Global de Manufatura Sustentável. As decisões autônomas e estratégicas tomadas na fábrica inteligente permitiriam um uso mais sustentável de energia e recursos naturais como a água, por exemplo.

Para o professor Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, tantas transformações oferecem o potencial de aprimorar drasticamente a eficiência das empresas e até mesmo gerenciar ativos de forma a ajudar a reverter impactos das revoluções industriais anteriores no meio ambiente.

Adoção

O conceito de Indústria 4.0 foi definido por acadêmicos alemães pela primeira vez em 2011 e foi base de um manifesto da Academia Nacional de Ciência e Engenharia da Alemanha, em 2013. Desde então, tornou-se presença constante em eventos acadêmicos e feiras relacionadas ao universo industrial, e virou alvo de investimentos governamentais em países desenvolvidos. Considerado o futuro da manufatura, o conceito de fábrica 4.0 é visto como uma evolução que deverá ser percorrida por todas as empresas, sob pena de perderem a capacidade de competir globalmente.

A indústria brasileira precisa correr para alcançar o ritmo das inovações da Indústria 4.0 em países como Estados Unidos e Alemanha. Esta é a opinião do professor Eduardo de Senzi Zancul, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Estúdio ABC – divisão de conteúdo para marcas da editora Abril. Em uma matéria publicada no site da revista “Exame” sob patrocínio da Siemens, em julho de 2017, Zancul afirma que o Brasil ainda tem poucos setores competitivos em escala global, embora empresas como a Ambev já tenham dado passos nessa direção.

A multinacional de bebidas adotou, em oito cervejarias, um sistema de automação para melhorar o processo de resfriamento da cerveja, evitando o desperdício de energia elétrica.

Outro caso citado é da Volkswagen Brasil, que vem investindo em tecnologia e treinamento de funcionários para criar todos os seus projetos a partir de um modelo digital.

Para Zancul, serão necessários investimentos em inovação e educação para acelerar a evolução da indústria brasileira neste sentido.

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