Cuidados Domésticos

A eficácia dos detergentes enzimáticos nos setores da saúde

A especialista Ana Miranda, presidente Executiva do Portal NasceCME e da NasceCME Magazine fala sobre os benefícios e a eficácia dos detergentes enzimáticos na limpeza do produto para saúde e como a eficácia desses saneantes é comprovada no Brasil.

Ana Miranda é bastante conhecida no Brasil pela sua atuação na área de Processamento de Produtos pra Saúde (PPS). As suas ações estão voltadas para o segmento de esterilização dos PPS, e, em novembro do ano passado, por exemplo, realizou o 2°Congresso Nacional de Limpeza e Esterilização on-line com a participação de 30 palestrantes nacionais e internacionais. Autora de um guia e um livro sobre os temas, ela também é especialista em cardiologia pelo Instituto Dante Pazanese, pós-graduada em Enfermagem Médico Cirúrgica e é presidente Executiva do Portal NasceCME e da  NasceCME Magazine. Ela conversou com a gente sobre os detergentes enzimáticos e como eles contribuem no trabalho de limpeza dos PPS.

 

Como você vê a atuação dos detergentes enzimáticos?

As enzimas são substâncias naturais extremamente importantes para ajudar a melhorar os efeitos dos detergentes. As versões de detergentes enzimáticos são fundamentais no processo de limpeza dos PPS, pois, sendo um produto balanceado e estabilizado adequadamente, eles tornam os processos de limpeza mais rápidos e eficientes, além de serem biodegradáveis, portanto, contribuem para um menor impacto ambiental também.

Como o setor de saúde vê o uso dos detergentes enzimáticos?

Ainda hoje, no setor, talvez por desinformação, alguns profissionais desqualificam o detergente enzimático como recurso adequado no processo de limpeza de produtos para saúde, no entanto, julgo que seria interessante estabelecer-se um intercâmbio com outros segmentos da indústria de detergentes, que há anos desenvolvem pesquisas neste campo, pois ainda temos muito a evoluir e aprender. Isso não quer dizer que incentivamos o uso de detergente enzimático doméstico (sabão em pó) no processo de limpeza do PPS, mas, sim, de ressaltar que os detergentes enzimáticos são mais eficientes que os produtos de uso doméstico para o trabalho na área de saúde.

Quais são as principais dúvidas dos profissionais hoje, sobre os detergentes enzimáticos?

Como boa parte das empresas e entidades, a compra de produtos para a limpeza ou qualquer outro serviço dentro de um hospital, por exemplo, é feito pela equipe ou setor de compras. Esses profissionais, ainda, têm pouco conhecimento sobre as vantagens e benefícios dos detergentes enzimáticos, e como realizar a escolha adequada. Essa é uma das grandes dificuldades observadas na prática: escolher adequadamente um produto para a saúde, como o detergente enzimático, que tem como propósito auxiliar no processo de limpeza do instrumental cirúrgico, por exemplo. Há regulamentações específicas, da Anvisa, que dispõem sobre os detergentes enzimáticos de uso restrito em estabelecimentos de assistência à saúde com indicação para limpeza de dispositivos médicos, mas, mesmo assim, ainda há dificuldade dos profissionais saberem como identificar no mercado de detergentes enzimáticos aqueles que atendem ou não a sua finalidade. Essa dificuldade se dá, por vezes, porque o produto entregue nem sempre é o mesmo  que foi destinado para testes na CME (Central de Material e Esterilização). É comum ouvirmos colegas relatarem que o produto adquirido não age no tempo estabelecido pelo fabricante para remoção da matéria orgânica. Algumas colegas diante desta situação prolongam o tempo de exposição do produto. Se pararmos para observar apenas este aspecto e fizermos uma conta rápida, teremos condições de perceber o quanto de tempo a mais por dia é despendido no processo de limpeza. Eu sugiro aos colegas que façam essa breve conta e vejam o quanto isso impacta no tempo de  processamento do PPS como um todo. Por isso, notifique ao órgão regulador toda e qualquer não conformidade que o detergente enzimático apresente, além desta destaco a persistência de odor da matéria orgânica, formação de espuma excessiva, alergia, dor de cabeça e demais queixas da equipe.

Os detergentes enzimáticos são considerados mais caros?

Passamos uma intensa crise econômica, o que não é novidade, todos os setores foram impactados e todo mundo busca reduzir custos, mas no caso das instituições de saúde é preciso entender que a aquisição de um produto, apenas se baseando no menor preço, visando racionalizar custos, pode ser um equívoco, porque, por vezes, o “barato” implica em mais custos, principalmente, quando o produto é indicado para limpeza, etapa fundamental no processamento dos produtos para saúde. Ou seja, na área da saúde o requisito segurança deve ser uma premissa. E sabe-se que segurança e qualidade coexistem numa relação direta, portanto, produtos de qualidade tendem a garantir segurança para o operador e destinatário final, neste caso: o paciente. Tem-se observado no mercado nacional a oferta de detergente enzimático onde o valor do litro é inferior ao custo mínimo da matéria-prima (enzima). Nestes casos, é evidente que a composição formulada não irá produzir um agente de limpeza satisfatório. E aí eu pergunto: O que fazer diante de tais fatos? De imediato só vejo uma resposta: desconfie… do produto e fornecedor. Realize pesquisa de mercado, adote fichas técnicas de avaliação de detergente. Uma outra resposta que considero de longo prazo é criarmos no país uma espécie de lista positiva do detergente enzimático a exemplo de outros países. Confesso que o NASCECME já vem discutindo sobre a possibilidade desta lista, quem sabe um dia efetivamos mais esse projeto.

Como é validada a eficácia dos detergentes enzimáticos?

Com o objetivo de assegurar a qualidade dos detergentes enzimáticos comercializados no Brasil e assim diminuir os riscos que o produto possa acarretar à saúde, o controle está sob a competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), e também aos órgãos de vigilância sanitária estadual e municipal, as chamadas VISA locais. Uma das grandes preocupações do órgão regulador é criar, por meio de resolução específica, mecanismos que atestem a efetividade do detergente enzimático. Para obtenção deste atestado de efetividade a ANVISA trabalha com laboratórios oficiais, além do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde – (INCQS);  e os Laboratórios Centrais de Saúde Pública dos Estados – (LACENS).

Os laudos exigidos pelo regulamento devem ser emitidos por laboratórios acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) ou também são aceitos laudos emitidos por laboratórios habilitados na Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (REBLAS).

A atividade catalítica do detergente enzimático (atividade enzimática) é um aspecto importante quanto à qualidade da limpeza e, ainda, quanto aos danos que podem acarretar aos produtos para saúde submetidos à ação do detergente enzimático.

Sabe-se que a etapa de limpeza é primordial no processamento do produto para saúde, e a qualidade do processo de limpeza irá influenciar diretamente o resultado das etapas posteriores de desinfecção ou esterilização. Se a limpeza não é assegurada isto equivale dizer que as demais etapas colocam em risco a saúde.

Detergentes enzimáticos são insumos bastante empregados nas CMEs (Central de Material e Esterilização) do Brasil, sendo utilizados no processo de limpeza, etapa crítica no processamento de produto para saúde. Existem no mercado detergentes enzimáticos com indicação de uso para limpeza realizada pelo método manual e automatizado. Você escolhe o produto que mais se adequa às suas necessidades.

O detergente enzimático utilizado nos estabelecimentos assistenciais de saúde apresentam requisitos específicos, quer sejam técnicos ou de rotulagem de modo a minimizar o risco à saúde. São passíveis no Ministério da Saúde e necessitam ainda comprovação de eficácia.

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