Cuidados Domésticos

Detergentes mais verdes: um estudo da Novozymes para a América Latina

A Novozymes aceitou o desafio de oferecer detergentes 100% biológicos e para isso apostou num estudo sobre detergentes em pó para a América Latina

No primeiro post da série “Detergentes mais verdes”, falamos sobre o apelo global que está atrelado a esse tema, principalmente em relação à preocupação com o meio ambiente.

Acesse: “Detergentes mais verdes: um apelo global”.

Pensando nesse apelo global e considerando sua área de atuação, a Novozymes, líder mundial em soluções biológicas, fez um estudo acerca de um detergente em pó nível médio, usado por consumidores da América Latina, que foi otimizado com tecnologias enzimáticas (entende-se por nível médio: custo e qualidade médios). O objetivo desse estudo, como mencionado no primeiro post, é explorar as possibilidades de um detergente mais sustentável, ou seja, como as enzimas podem substituir surfactantes em termos de remoção de manchas, pegada ambiental e custos, tudo claro, mantendo a qualidade na limpeza dos tecidos.

O estudo

 O que são surfactantes?

 Os surfactantes são um dos principais ingredientes da maior parte dos detergentes de limpeza que existem no mercado latinoamericano. As moléculas dos surfactantes possuem cabeças hidrofílicas (que gostam de água) e caudas hidrofóbicas (que odeiam água), tente lembrar das aulas de biologia do ensino médio nas quais o professor falou dos fosfolipídeos que compõem a membrana plasmática da maioria das células e que tem uma parte apolar e outra polar, lembra? A ideia é a mesma! Essa estrutura permite que os surfactantes criem micelas ao redor da sujeira, onde as caudas hidrofóbicas ficam em contato com a sujeira enquando a atração das cabeças hidrofílicas pela água usada durante a lavagem permite que a sujeira seja arrancada do tecido. Esses surfactantes podem ter base petroquímica (petróleo ou gás natural) ou vegetal (óleo de coco ou de palma).

Como os surfactantes atuam. Fonte: Permitindo detergentes mais verdes com enzimas – um estudo da Novozymes

O que são enzimas?

Nós falamos muito de enzimas aqui no Bioblog mas, de maneira geral, são moléculas compostas por proteínas que são capazes de acelerar o processo de hidrólise (quebra por adição de água) de uma outra molécula. E é assim que elas ajudam a remover a sujeira e as manchas mais terríveis de roupa de você pode imaginar. Além disso, elas são biodegradáveis, ou seja, seu uso agride menos o meio ambiente.

Como foram feitos os testes?

O detergente usado no estudo foi um detergente tradicional usado aqui na América Latina que possui uma determinada quantidade de surfactantes, outros compostos e enzimas, mais especificamente proteases (que degradam proteínas). Considerando esse detergente, foram ajustadas as concentrações de cada um dos ingredientes em outras 3 formulações, uma diferente da outra, para que pudessem ser feitas comparações:

  • Detergente A: Detergente convencional com um tipo de enzima;
  • Detergente B: Igual a A porém com 30% menos surfactantes;
  • Detergente C: Igual ao B mas com um mistura de 5 enzimas diferentes;
  • Detergente D: Igual ao C mas com 45% menos surfactantes e um mistura mais forte de 5 enzimas.

Os testes para cada formulação diferente foram feitos em condições de lavagem muito semelhantes às utilizadas pelos consumidores na América Latina, além disso foram feitas 12 lavagens com cada formulação para avaliar a atuação desses detergentes e das enzimas sobre a remoção das manchas. Foram levados em consideração 36 tipos de manchas com o objetivo de abrangir as que mais são experimentadas por esses mesmos consumidores.

Resultados

Dos 4 detergentes testados, o que obteve melhor desempenho na remoção de manchas foi o C (com uma redução de 30% de surfactantes em comparação com o modelo A e uma mistura de 5 enzimas diferentes), depois o D, o A e o B. Esse resultado mostra que, apesar de a adição de 5 enzimas diferentes acarretar num ótimo desempenho, os surfactantes ainda são fundamentais dentro dos detergentes, mas que é possível sim diminuir sua quantidade e manter seu desempenho ou melhorá-lo com a adição das enzimas. Além disso, o detergente C superou o desempenho para todos os grupos de manchas testados.

Esses resultados mostram que o caminho para um detergente 100% biológico não é fácil mas tem se mostrado cada dia mais possível! No próximo post vamos falar sobre as perspectivas de custo e de redução da pegada ambiental por meio da substituiição dos surfactantes por enzimas. Se tiver alguma dúvida, não deixe de compartilhá-la com a gente aqui nos comentários!

Acesse o estudo completo aqui.

 

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