Sustentabilidade

Debates sobre inovação, integridade e sustentabilidade: uma janela para o futuro

Inovação, integridade e sustentabilidade andam juntas e são uma janela para o futuro, como bem aponta a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, especialmente em seus objetivos 9 e 12 e 16.

Sem sombra de dúvidas, Compliance, Integridade e Conformidade são palavras da moda. Seja nas páginas políticas ou policiais dos meios de comunicação ou nas pautas de reuniões de diretoria ou conselhos de administração de empresas de todos os portes e segmentos de atuação, certamente você já ouviu falar em Programa de Integridade, Código de Conduta, Canal de Denúncia, Políticas e Controles Internos, etc.

Contudo, diferente da coleção outono-inverno 2018, efêmera, e que será esquecida ao primeiro sol de primavera, debates sobre ética devem ser permanentes, independente da estação, pois inovação, integridade e sustentabilidade andam juntas e são uma janela para o futuro, como bem aponta a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, especialmente em seus objetivos 9 e 12 e 16[1].

Infelizmente, no caso da realidade brasileira, fazendo um paralelo com o modelo de “formação de consciência moral” proposto pelo suíço Jean Piaget, superamos “a fórceps” a etapa da “anomia”[2], mas ainda nos encontramos no segundo de quatro estágios, na fase de “heteronomia”[3], ou seja, reconhecemos que atuar de forma íntegra é preciso, contudo se hoje o fazemos é muito ainda em razão do receio que temos das sanções administrativas, cíveis e até penais a que seremos submetidos se assim não procedermos e não efetivamente por convicções próprias. Ainda.

Estamos caminhando em direção ao próximo nível, o da “socionomia”[4], ou seja, começando a abrigar conosco noções de responsabilidade ética e social, muito em razão dos recentes fóruns de discussão sobre o tema, dentro e fora das organizações. Nesse sentido, na última quarta-feira, 18 de abril, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) promoveu o 1º Congresso Paranaense de Gestão, Compliance e Ética, ocasião na qual se debateu os desafios da gestão no cenário da indústria 4.0, governança corporativa, programas de integridade, valores, comprometimento e princípios morais.

Eventos como esse, promovidos por órgãos governamentais, entidades de classe, instituições de ensino, observatórios sociais ou por empresas da iniciativa privada, são fundamentais para:

  1. sedimentar uma cultura que promova a inovação e o progresso tecnológico responsável, ou seja, que apoie a modernização não só dos meios produtivos, mas dos próprios mecanismos de gestão e controle;
  2. disseminar e propagar a ética por meio de agentes de mudança, encorajando todos a examinar de forma crítica as relações interpessoais, organizacionais e com o ambiente em que estamos inseridos;
  3. compreender os impactos de nossas ações, utilizando os recursos de maneira consciente, fomentando a sustentabilidade do ecossistema e a longevidade dos agentes econômicos.

Estamos vivenciando a nova revolução industrial, momento perfeito para examinar, conceber e implementar sistemas cada vez mais sofisticados de gestão sustentável, governança, conformidade e integridade. Assim, esperamos, em 2030 estaremos mais próximos de atingir a autonomia ética e moral, orientando nossas ações não pelas normas que nos são impostas, mas por nossas próprias convicções.

[1] São objetivos de desenvolvimento sustentável: “Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.” Extraído de: https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/. Acesso em 19 abr. 2018.

[2] Do grego a, “negação, ausência”, + nomos, “lei = sem lei

[3] Do grego heteros, “outros”, + nomos, “lei” = lei estabelecida ou imposta por outro.

[4] Do latim socius, “companheiro, colega”, e do grego nomos, “lei” = lei interiorizada do convívio.

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