Sustentabilidade

Costa Rica recebe prêmio ambiental por combate às mudanças climáticas

Costa Rica recebeu o prêmio Campeões da Terra 2019 pelo seu compromisso com as políticas para combater as mudanças climáticas

A Costa Rica recebeu o Campeões da Terra de 2019, o maior prêmio ambiental da ONU, por seu papel na proteção da natureza e seu compromisso com políticas ambiciosas para o combate às mudanças climáticas. A ONU Meio Ambiente reconheceu o país centro-americano na categoria Liderança Política por seu plano detalhado para descarbonizar a economia até 2050. A iniciativa vai ao encontro das diretrizes do Acordo de Paris para o clima e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Mais de 98% da energia da Costa Rica é renovável e sua cobertura florestal é superior a 53%, após um meticuloso trabalho para reverter décadas de desmatamento. Em 2017, o país bateu um recorde de 300 dias movido apenas a energia renovável. O objetivo é atingir 100% até 2030. Espera-se que 70% de todos os ônibus e táxis do país sejam elétricos até 2030, com total eletrificação projetada para 2050.

A expectativa é de que a Costa Rica sirva de modelo para que outros países reduzam as emissões que causam a rápida e desastrosa mudança climática. Para a ONU Meio Ambiente, ao colocar as preocupações ambientais no centro das políticas, o plano costarriquenho mostra que a sustentabilidade é economicamente viável.

“A Costa Rica tem sido pioneira na proteção da paz e da natureza, e é também um exemplo para toda sua região e para o mundo”, disse Inger Andersen, diretora-executiva da ONU Meio Ambiente. “As mudanças climáticas exigem ação urgente e transformadora de todos. Com seus planos ambiciosos para descarbonizar a economia, a Costa Rica está enfrentando esse desafio. As emissões globais estão atingindo níveis recordes e devemos agir agora e avançar para economias mais limpas e resilientes”, acrescentou.

A necessidade de uma ação global urgente sobre mudanças climáticas foi salientada na Cúpula de Ação Climática, realizada em Nova Iorque, na última semana de setembro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos líderes mundiais, empresas e sociedade civil ideias concretas sobre como reduzir as emissões em até 45% na próxima década e zerar as emissões até 2050, em linha com o Acordo de Paris e os ODS.

O Plano Nacional de Descarbonização da Costa Rica foi divulgado em fevereiro e inclui metas ousadas de médio e longo prazo para transformar o transporte, a energia, a geração de resíduos e o uso da terra. O objetivo é alcançar emissões líquidas zero até 2050, o que significa que o país não produzirá mais emissões do que aquelas que puder compensar por meio de ações como a manutenção e expansão de suas florestas.

“Receber o prêmio Campeões da Terra em nome da Costa Rica, de toda sua população, das gerações passadas que protegeram o meio ambiente e das gerações futuras, me enche de orgulho e emoção pelo que a Costa Rica alcançou e pelo que podemos continuar fazendo. Podemos alcançar ainda mais. Sinto-me muito orgulhoso de ser costarriquenho”, disse o presidente Carlos Alvarado Quesada.

“Cerca de 50 anos atrás, o país começou a avançar uma série de políticas ambientais inovadoras porque o paradigma do desenvolvimento sustentável está muito presente no DNA dos costarriquenhos. O plano de descarbonização consiste em manter uma curva ascendente em termos de crescimento econômico do emprego e, ao mesmo tempo, gerar uma curva descendente no uso de combustíveis fósseis, a fim de parar de poluir. Como vamos conseguir isso? Por meio de transportes públicos limpos, cidades inteligentes e resilientes, gestão de resíduos; agricultura sustentável e melhor logística”, disse ele.

O Prêmio Campeões da Terra reconhece as credenciais sustentáveis da Costa Rica e também destaca a necessidade urgente de encontrar soluções para a mudança climática. No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) descobriu que limitar o aquecimento global a 1,5° C exigiria mudanças sem precedentes para reduzir as emissões de carbono em 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, atingindo a neutralidade de emissões por volta de 2050.

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