Agricultura e Alimentação Animal

Calor prejudicará agricultura e aumentará pobreza no Brasil, alerta ONU

Um aquecimento global maior do que 1,5ºC prejudicará a agricultura e a geração de energia e deixará populações inteiras expostas à insegurança alimentar

Um aquecimento global maior do que 1,5ºC prejudicará a agricultura e a geração de energia e deixará populações inteiras expostas à insegurança alimentar, falta d’água e problemas de saúde, em especial na Amazônia. As conclusões são do novo relatório do IPCC, o painel do clima da ONU.

Autores brasileiros do relatório Aquecimento Global de 1,5ºC, lançado na Coreia do Sul, conversaram com jornalistas num webinar promovido pelo Observatório do Clima e pelo Instituto Climainfo.

Segundo eles, a principal mensagem do documento é que a escala da transformação na economia e na sociedade global para conter o aquecimento da Terra em 1,5ºC nos próximos anos é “sem precedente”. Em apenas 12 anos, será necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 45% no planeta, o que implica na transformação radical do modo como se usa energia e terra no mundo.

E o Brasil é tanto uma vítima em potencial quanto um dos países com mais oportunidades de fazer uma transição para uma economia limpa. Entre os impactos mencionados pelos cientistas está a redução do crescimento econômico, que dificulta o combate à pobreza, e a diminuição na vazão de rios no Norte e no Nordeste que prejudicará a geração de energia já no meio deste século. “Com 2ºC de aquecimento, a geração de energia na bacia do São Francisco poderia ter redução de 15% em 2040 e 28% no final do século”, disse José Marengo, pesquisador do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). Segundo ele, também com 2ºC de aquecimento, rios da Amazônia podem ter reduções da ordem de 25% na sua vazão.

O botânico Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, afirmou que o agronegócio também é vulnerável. “Com o aumento do CO2 e da temperatura, existem culturas que têm limites. O milho tem limite de 35ºC, acima disso a produção vai começar a cair. A soja vai até 39ºC graus, e se passar disso tem problemas de produção, e tendo esses problemas pode faltar alimento”, afirmou.

Tais limites de temperatura máxima podem ser facilmente ultrapassados em algumas regiões da Amazônia em 2040, alertou Patrícia Pinho, pesquisadora do Centro de Resiliência de Estocolmo. Nos chamados “pontos quentes” amazônicos, as médias tendem a subir 4ºC em vez de 1,5ºC, o que impacta diretamente uma população que já é muito pobre e pouco capaz de se adaptar.

“Mesmo 1,5ºC de aquecimento global traria riscos para erradicação de pobreza e redução de desigualdade”, afirmou Pinho, ponderando, no entanto, que a chance de ter um desenvolvimento mais sustentável aumenta com a limitação do aquecimento.

Por outro lado, o país tem oportunidade de avançar na transição sem derrubar mais florestas. O etanol brasileiro, calcula Buckeridge, tem potencial de substituir 15% da gasolina mundial e mitigar 6% das emissões do mundo (em relação aos níveis de 2014). “Isso sem entrar em nenhuma região preservada ou de produção de alimentos, usando apenas áreas de plantio de cana”.

Clique aqui e confira as principais conclusões do relatório Aquecimento Global de 1,5ºC.

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