Bioenergia

Brasil se prepara para ser um dos principais produtores de etanol celulósico

Solo fértil, diversidade de matéria-prima, indústrias que se preparam para transformar toda uma grande safra em etanol de maneira muito ágil e com poucas perdas nesse processo.

Para fazer frente à necessidade de diminuição dos combustíveis fósseis bem como dos prejuízos ambientais causados por eles, os biocombustíveis se tornaram a principal meta de países desenvolvidos e em desenvolvimento comprometidos com a sustentabilidade de suas economias. A busca por novas tecnologias, seja para o cultivo ou para a produção do produto final intensificou o interesse de diversos setores para desenvolver esse importante mercado.

O Brasil, nesse cenário, se destaca como um dos principais produtores de biocombustíveis no mundo. Solo fértil, diversidade de matéria-prima, indústrias preparadas para transformar toda uma grande safra em etanol de maneira muito ágil e com poucas perdas nesse processo. Mas a crescente demanda impulsiona o país a continuar desenvolvendo alternativas para aumentar a produção sem aumentar o cultivo, não esgotando o solo nem explorando novas áreas com plantios.

Com esse desafio, desde o início da década, pesquisadores e empresas vêm atuando para envolver toda a cadeia produtiva na produção do etanol celulósico que é produzido a partir da biomassa. No Brasil a biomassa mais utilizada é a da palha e do bagaço da cana-de-açúcar.

O país dispõe de uma capacidade incrível de biomassa seca como a palha e o bagaço de cana-de-açúcar, com números estimados em 155 milhões de toneladas/ano e, desse total, somente 50%, até o etanol celulósico, eram utilizados para a alimentação animal, construção civil ou geração de energia elétrica. O restante dos resíduos era descartado causando sérios problemas para a biodiversidade. Uma realidade que está mudando com a utilização desses recursos para a produção do etanol de segunda geração.

Diversas iniciativas estão sendo adotadas no país para aumentar a capacidade produtiva do país e reduzir o impacto ambiental. Uma das propostas é o programa RenovaBio, que se transformou em um importante projeto de Lei, recentemente sancionado pela Presidência da República, que busca mudar a realidade do setor e aumentar a produção nacional para 54 bilhões de litros de biocombustíveis, por safra, até 2030.

Enquanto ainda era apresentado como um programa, o Ministério de Minas e Energia, junto com representantes do setor, sociedade civil e pesquisadores, destacaram diversas estimativas de grande impacto nacional que vão além da ampliação da produção, como a geração de 750 mil empregos diretos e indiretos e a redução de gastos com saúde pública, mortes e internações relacionadas ao uso de combustíveis fósseis com a aprovação da nova política para o setor de biocombustíveis.

A previsão é de que esse mercado ainda ganhe um aporte de 40 bilhões de dólares em investimentos, gerando uma economia de 45 bilhões de dólares à balança comercial, já que prevê a redução da importação de gasolina, no montante de 95 bilhões de litros. O programa também busca o desenvolvimento de cerca de 1.600 municípios produtores de cana-de-açúcar, e a ativação do comércio e da indústria nacional, com a aquisição e modernização de máquinas e equipamentos.

O país se mostra antenado às mudanças mundiais na utilização de combustíveis e as possibilidades de aumentar a exportação de biocombustível para a Europa. Em dezembro de 2016, a Comissão Europeia, após uma reunião em Bruxelas, anunciou que a Europa está se preparando para deixar de utilizar o etanol de primeira geração e avançar ainda mais para o etanol celulósico até 2030, e que esperam, ainda, que todo o transporte da região seja movido com esse novo etanol até 2020, deixando de utilizar alimentos para a produção de biocombustíveis e utilizando apenas a biomassa que antes era descartada, com foco na redução dos impactos na agricultura e a diminuição no déficit na produção de alimentos, previstos para os próximos anos, além de atender aos acordos climáticos assinados pelos países.

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