21-09-2016

Biocombustível na aviação

Até poucos anos atrás não era nem cogitado utilizar outro combustível na aviação civil que não fosse derivado do petróleo. No entanto, a necessidade em encontrar alternativas para reduzir as emissões de carbono instigou a realização de pesquisas a respeito da utilização de biocombustíveis. Conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), publicados em 2015, anualmente a aviação brasileira consome cerca de 8 milhões de m³ de querosene, para 2020 a projeção é de 12 milhões de m³. Esse alto consumo contribui para elevar o lançamento de dióxido de carbono na atmosfera. Atualmente, a indústria da aviação mundial é responsável por 2% das emissões deste composto químico. Até 2030, se o querosene não for substituído por biocombustíveis, estima-se que o percentual chegue a 3%.

Foram estabelecidas metas para atenuar os impactos ambientais conferidos ao setor da aviação – até 2050 busca-se reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono. Para isso, a utilização de biocombustíveis é peça-chave, pois eles são gerados com biomassa, ou seja, de fontes renováveis, que incluem compostos de origem animal ou produtos vegetais. Pesquisas apontam que biocombustíveis sustentáveis para a aviação podem reduzir de 50% a 80% as emissões de carbono, em comparação ao querosene. As iniciativas mais efetivas sobre o biocombustível para a aviação envolvem a produção comercial de bioquerose. O bioquerosene é produzido através do processo de fermentação, no qual uma levedura consome o xarope da cana-de-açúcar, dando origem ao combustível sustentável.

Além da cana-de-açúcar, a Embrapa aponta as oleaginosas como matéria-prima para produção de bioquerosene, o que é muito positivo para o Brasil, pois o país possui um vasto número de espécies nativas que geram óleo em grãos e frutos. A soja, por exemplo, é uma fonte viável para produção de bioquerosene, por três motivos: devido às tecnologias avançadas e eficazes, o Brasil domina o cultivo de soja seja em áreas subtropicais como tropicais; outra razão se deve ao fato de a soja ser a principal oleaginosa cultivada no país; e, por fim, todas as regiões do Brasil produzem essa oleaginosa. Em médio prazo, sendo necessário ainda ampliar a escala de produção, é possível levar em consideração como possibilidade de matéria-prima o girassol, a canola, o algodão e o dendê. Desde 2011, ano em que o uso de biocombustível na aviação foi aprovado, mais de 1.600 voos comerciais já foram realizados pelo mundo usando essa alternativa. O Brasil tem feito vários voos experimentais utilizando diversas porções de misturas de bioquerosene provenientes de variados tipos de matérias-primas. Todas essas iniciativas são fundamentais para vislumbrar um futuro com menos emissões de poluentes e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades da matriz energética.

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