27-04-2017

Aquecimento do mercado de produtos sem lactose

O crescimento, na América Latina, chegou a 75%, subindo de 22 milhões para 359 milhões de dólares em um curto período de tempo

            Um mercado que está atraindo cada vez mais atenção da indústria e dos pequenos produtores é o de produtos sem lactose. Segundo pesquisa apresentada pela revista Aditivos e Ingredientes, realizada pela Euromonitor International Latin America, esses alimentos tiveram, em 2009, um faturamento de 3,4 bilhões de dólares e o mercado da América Latina representara 41% do faturamento. E esse crescimento não é apenas nos mercados considerados maduros, como os da Europa e Estados Unidos, já que a América Latina é a que apresentou maior crescimento, chegando em 75%.

Com o aumento da procura por alimentos que promovam maior bem-estar, também focado na disponibilização de produtos para quem sofre de algum tipo de intolerância, o aquecimento do mercado se torna ainda maior, com as vendas desse segmento subindo de 22 milhões para 359 milhões de dólares em um curto período de tempo.

Como já falamos aqui, a intolerância à lactose atinge em média 70% da população brasileira. Os níveis desta incapacidade de digerir o açúcar presente no leite e seus derivados são diversos, indo da sensibilidade leve a uma intolerância mais grave. O nível de intolerância vai depender da condição de produção de uma enzima que tem a função de digerir este açúcar, a lactase, que é um açúcar que está presente em todos os leites dos mamíferos e pode ser em encontrado em muitos alimentos, como queijos, manteiga, iogurte, leite condensado e outros alimentos que levam leite em sua composição.

No banco global de novos produtos da Mintel há dados que demonstram que 5,9% dos lançamentos, de 2015, relacionados à bebida e comida, trazem informações nas suas embalagens indicando que há quantidade reduzidas ou ausência de lactose. Atentos a essa demanda crescente, não só os grandes produtores se preparam para inovar neste mercado, como, também, os pequenos. O Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Sebrae de Santa Catarina oferece aos empreendedores uma série de informações e orientações deste mercado, inclusive, com um Boletim de Tendências do setor de Leite e Derivados. Segundo eles, o objetivo da publicação é apresentar o panorama da intolerância, o teor de lactose em produtos lácteos, bem como as mudanças que estão sendo promovidas no mercado, a fim de potencializar ganhos aos pequenos negócios.

Quem deseja se adequar a esse mercado, oferecendo produtos sem lactose, precisa estar atento, também, às regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), principalmente, à Lei 13.305/2016 que começou a vigorar em janeiro de 2017, passando a ser obrigatório que os fabricantes informem a presença de lactose nos alimentos. Segundo as regras, a obrigatoriedade é válida para alimentos com mais de 100 miligramas (mg) de lactose para cada 100 gramas ou mililitros do produto. Assim, qualquer alimento que contenha lactose em quantidade acima de 0,1% deve trazer a expressão “Contém lactose” no rótulo.

Bom para o mercado e excelente para o consumidor que encontrará a informação mais facilmente nas embalagens, eliminando o risco de consumir um produto que possa causar intolerância. Novas pesquisas e tecnologias estão permitindo o desenvolvimento de produtos com baixo ou zero teor de lactose, que podem, inclusive, ser utilizados para o preparo de outras receitas. Isso também abriu portas para esse novo mercado, que tem até quatro vezes mais potencial de crescimento, quando comparado ao segmento de laticínios tradicionais.

O uso de enzimas é ideal para melhorar a digestibilidade do leite. Por isso, a Novozymes, empresa líder mundial no segmento de enzimas, criou soluções para a produção de produtos lácteos com baixo ou zero teor de lactose. Desse modo, indústrias de qualquer porte podem contar com tecnologias de ponta para a criação e comercialização de produtos de qualidade.

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