30-04-2017

A safra alcooleira e o mix de produtos que movimentam a indústria e o mercado

Açúcar e etanol aquecem o setor industrial sucroenergético no Brasil

            Do açúcar que você compra no supermercado, ao etanol que abastecemos nossos carros e até mesmo parte da energia elétrica que consumimos, todos eles vêm de um só lugar: do cultivo brasileiro da cana-de-açúcar. Fundamental para movimentar toda a locomotiva econômica que gera milhões em negócios e milhares de empregos no país, o caminho do campo à indústria não é longo, mas é cheio de detalhes que não são conhecidos do consumidor.

O cultivo da cana-de-açúcar marca a história do Brasil, com produção reconhecida desde o ano de 1.532. Foram muitos anos, muitas colheitas até o início da industrialização no país e os investimentos para produzir açúcar e álcool em larga escala para abastecer o comércio interno e o externo. Plantada no verão, a cana-de-açúcar é sempre processada no inverno, em cerca de 18 meses após o cultivo. Ela pode produzir mais cinco ou seis vezes consecutivas a cada 12 meses, com investimentos de R$ 8 e 9 mil por hectare, gerando algo em torno de 100 toneladas por hectare/ano.

Logo após a colheita, o colmo (caule da cana) não pode ser armazenado, por isso, precisa seguir em pouco tempo para a indústria. Hoje, essa indústria se desenvolveu, bem como a agricultura. Novos equipamentos, tecnologias, inovações que permitem maior qualidade produtiva, gerando, a partir da mesma matéria-prima, o açúcar e o etanol, nas versões anidro, que é aquele misturado à gasolina, e o etanol hidratado, que é aquele vendido nos postos de combustível. Para se ter uma ideia da capacidade de produção brasileira, uma usina de médio porte processa em torno de 15 a 20 mil toneladas de cana por dia, durante sete meses do ano.

A safra e seu impacto no mercado

Segundo a ÚNICA – União das Indústrias de cana-de-açúcar, a safra 2016/2017, com sua colheita nos meses de março e início de abril, alcançou 7,96 milhões de toneladas, possibilitando ao país alcançar uma produção quinzenal de 270 mil toneladas de açúcar e a fabricação de 326,89 milhões de litros de etanol, sendo que desses, 81,41 milhões de litros são de etanol anidro e 245,49 milhões de litros de hidratado.

Neste ano, com a alteração do período da safra, estipulada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a estimativa é alcançar cerca de 675 milhões de toneladas em todo o Brasil, muito estimulado pela produção da região Centro-Sul que, sozinha, espera produzir 619 milhões de toneladas, segundo a consultoria Datagro. De acordo com os dados, 57,3% da matéria-prima será usada para a produção de etanol, contra 42,7% destinado ao açúcar, um crescimento de 3,2%.

Na pesquisa apresentada no livro Quarenta anos do etanol no Brasil está o retrato dessa impactante indústria do país, que gerou, no último ano, um produto interno bruto setorial superior a 40 bilhões de dólares, com a geração de aproximadamente 1 milhão de empregos. A decisão de produzir etanol ou açúcar independe da demanda e dos preços dos produtos à época da colheita. A dependência está mais relacionada às oportunidades de tradings e da formação de estoque a custos consideráveis, já que esses são os aspectos relevantes que marcam essa economia em todo o mundo, além dos sinais de preços e margens de comercialização nos respectivos mercados.

O etanol, por exemplo, tem seu preço determinado a partir de custos e das margens de distribuição, com a indústria e a agricultura se destacando como os maiores tomadores de preços. Outro fator é que a distribuição e a revenda do produto final estão diretamente ancoradas no setor de petróleo e derivados.

Com solo fértil e clima propício para o cultivo da cana-de-açúcar, o Brasil demonstra sua expertise no mercado de açúcar, detendo, hoje, 45% das exportações mundiais.

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